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Após investigação, Flávio Bolsonaro faz movimento contra diretor da Polícia Federal

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, apresentou neste domingo (11) uma notícia-crime à Justiça Eleitoral contra Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF). No documento, o parlamentar acusa o chefe da corporação de possível crime eleitoral e solicita a abertura de uma investigação sobre a divulgação de uma apuração envolvendo uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras em favor de grupos da direita. A representação foi protocolada no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).

A iniciativa de Flávio está relacionada a declarações feitas por Andrei Rodrigues em uma coletiva de imprensa realizada em 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições. Na ocasião, o diretor-geral informou que a Polícia Federal havia iniciado uma apuração preliminar sobre possíveis ações de financiamento do governo norte-americano a movimentos conservadores em diferentes países, incluindo o Brasil. Segundo as informações divulgadas, ainda não havia sido formalmente instaurado um inquérito policial naquele momento.

Na representação apresentada à Justiça Eleitoral, a campanha de Flávio sustenta que a divulgação ocorreu em um momento capaz de influenciar a opinião dos eleitores. O documento argumenta que a comunicação pública sobre a apuração teria favorecido politicamente o Partido dos Trabalhadores (PT) e prejudicado a candidatura do senador. A acusação também questiona a existência de elementos concretos que justificassem a divulgação naquele momento. Essas alegações fazem parte do pedido apresentado pela campanha e ainda dependem de análise pelas autoridades competentes.

A notícia-crime menciona o artigo 377 do Código Eleitoral, que trata da proibição de utilizar repartições públicas para beneficiar partidos ou organizações políticas. Na avaliação apresentada pela equipe de Flávio, caso seja comprovado que a estrutura da Polícia Federal foi utilizada com finalidade eleitoral, a conduta poderá exigir responsabilização. Por isso, o documento solicita a abertura de um procedimento para esclarecer as circunstâncias da divulgação, a motivação da comunicação pública e a existência de eventual irregularidade.

O episódio teve origem em denúncias divulgadas pelo jornal britânico The Guardian no fim de setembro, relacionadas a recursos do governo dos Estados Unidos destinados a iniciativas de direitos humanos e a um programa voltado ao Brasil. Em 1º de outubro, a Advocacia-Geral da União (AGU), comandada por Jorge Messias, encaminhou solicitações à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que fossem apuradas suspeitas relacionadas às denúncias. A comunicação feita por Andrei Rodrigues ocorreu quatro dias depois, quando o primeiro turno já estava em andamento.

Segundo a reportagem que divulgou a representação, a apuração preliminar da Polícia Federal foi arquivada em 7 de outubro por falta de elementos suficientes para prosseguir. Flávio utiliza esse desfecho como parte dos argumentos apresentados contra o diretor-geral da corporação. O arquivamento, porém, não comprova automaticamente que houve crime eleitoral na divulgação inicial. O pedido apresentado pelo senador busca justamente apurar se a conduta de Rodrigues violou a legislação. Caberá à Justiça Eleitoral avaliar a representação e decidir sobre os próximos passos, sem que as acusações apresentadas sejam tratadas como uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade do diretor da PF.

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