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Candidato do PT em Mato Grosso do Sul rompe com orientação partidária e anuncia voto em Flávio Bolsonaro no 2º turno

Uma declaração feita por Luso de Queiroz, candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026, ganhou repercussão nacional nesta sexta-feira, 9 de outubro. Durante entrevista concedida em Campo Grande, o político anunciou que pretende votar em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, contrariando a posição de seu próprio partido, que disputa a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva. A manifestação representa uma decisão individual de Luso e não uma mudança na orientação oficial do PT. 

Luso de Queiroz, nome eleitoral de Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul pelo número 13077. Dados provenientes dos registros da Justiça Eleitoral mostram que sua candidatura pelo PT foi deferida e integrou a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Antes disso, ele havia construído sua trajetória política no PSOL e disputado a Prefeitura de Campo Grande em 2024, quando terminou a eleição sem conquistar o cargo. 

A declaração de voto ocorreu durante entrevista ao programa Capital Meio-Dia, da rádio Capital 95,9 FM, em Campo Grande. Ao explicar sua decisão, Luso afirmou que não pretende anular o voto no segundo turno e apresentou uma série de críticas à condução política do PT e a setores da esquerda. Segundo ele, parte do campo progressista teria se afastado de questões relacionadas ao cotidiano dos trabalhadores, concentrando excessivamente sua atuação em determinadas pautas ideológicas e identitárias. Essas avaliações são posições políticas pessoais do ex-candidato e não constituem constatações independentes sobre o partido. 

Durante a entrevista, Luso confirmou de maneira direta sua opção eleitoral. Ele afirmou que votará em Flávio Bolsonaro e relacionou sua decisão a divergências com setores que identifica como integrantes da chamada esquerda identitária. Também criticou o tratamento dado pelo PT a temas como emprego, renda e custo de vida, defendendo que essas questões deveriam ocupar espaço maior na atuação partidária. 

O político ainda direcionou críticas à organização interna do PT em Mato Grosso do Sul. Luso alegou que compromissos assumidos pela direção partidária não teriam sido cumpridos durante a eleição e disse estar insatisfeito com o apoio concedido a determinadas candidaturas. Em outra entrevista divulgada pelo jornalista Otávio Neto, ele afirmou que sua experiência dentro da legenda contribuiu para seu afastamento político da direção nacional. Essas acusações refletem a versão apresentada por Luso e podem ser contestadas pelo partido. 

Entre os pontos levantados por ele está a distribuição de recursos eleitorais. Luso afirmou que candidatos indígenas teriam recebido tratamento insuficiente na divisão de verbas partidárias. A declaração, contudo, não demonstra por si só a existência de irregularidade. A distribuição de recursos de campanha precisa ser analisada a partir das prestações de contas registradas na Justiça Eleitoral e das regras aplicáveis ao fundo eleitoral. 

Os dados disponíveis sobre a própria campanha de Luso mostram que ele declarou não possuir bens e teve receitas eleitorais registradas de pouco mais de R$ 40 mil. Segundo levantamento que utiliza os dados do TSE, aproximadamente R$ 39,2 mil desse valor tiveram origem na direção nacional do PT. Esses números ajudam a contextualizar sua participação na eleição, mas não confirmam nem invalidam as críticas feitas por ele sobre a distribuição mais ampla de recursos dentro da legenda. 

A mudança chama atenção pela trajetória política de Luso. Nas eleições municipais de 2024, ele foi candidato à Prefeitura de Campo Grande pelo PSOL, em uma chapa formada pela federação PSOL-Rede. Naquela campanha, apresentou propostas vinculadas historicamente ao campo da esquerda e participou de debates sobre saúde pública, transporte, cultura e políticas sociais. Dois anos depois, transferiu-se para o PT e disputou o cargo de deputado estadual. 

A declaração de voto em Flávio Bolsonaro representa, portanto, uma ruptura eleitoral relevante em relação à legenda pela qual Luso concorreu neste ano. Isso não significa, entretanto, que o PT de Mato Grosso do Sul ou sua direção nacional tenham alterado sua posição no segundo turno. A candidatura presidencial do partido continua sendo encabeçada por Lula, e a manifestação de Luso deve ser compreendida como uma escolha pessoal de um candidato que passou a criticar publicamente a sigla.

Também não há, até o momento, indicação pública de que a declaração de Luso tenha provocado mudança formal em seu registro partidário. As bases que reproduzem os dados da Justiça Eleitoral ainda o identificam como candidato do PT nas eleições de 2026. Eventual desfiliação ou expulsão partidária dependeria de procedimentos próprios e não pode ser presumida apenas a partir de uma entrevista. 

A manifestação ocorre durante uma fase de intensa reorganização política após o primeiro turno presidencial. Flávio Bolsonaro e Lula passaram à votação decisiva de 25 de outubro, enquanto partidos, candidatos derrotados e lideranças regionais começaram a anunciar individualmente suas posições para a nova etapa. Declarações de apoio feitas por políticos de outras legendas fazem parte desse processo, mas não significam automaticamente transferência de votos de seus antigos eleitores.

No caso de Luso, a repercussão se deve principalmente ao fato de ele ter disputado a eleição deste ano pelo mesmo partido de Lula. O Jornal da Cidade Online apresentou a declaração como um sinal de que a candidatura de Flávio estaria alcançando setores petistas. Essa é uma interpretação editorial do veículo. O fato verificável é mais específico: um candidato do PT em Mato Grosso do Sul anunciou pessoalmente que votará em Flávio Bolsonaro no segundo turno. Não existem, a partir desse episódio isolado, elementos suficientes para concluir que haja um movimento amplo de candidatos ou filiados petistas na mesma direção. 

A decisão também representa uma mudança em relação a manifestações anteriores de Luso. Em fevereiro deste ano, por exemplo, ele ainda era identificado publicamente como petista e fazia críticas a integrantes do campo bolsonarista em Mato Grosso do Sul. Seu posicionamento atual mostra uma alteração em sua relação com o partido e com a disputa presidencial, mas as razões dessa mudança são apresentadas principalmente a partir de sua própria versão sobre os acontecimentos internos da legenda. 

Luso também afirmou durante a entrevista que considera parte da esquerda desconectada das preocupações econômicas da população. Ao tratar do custo de vida, utilizou o preço dos alimentos e as dificuldades enfrentadas por trabalhadores como argumentos para justificar seu descontentamento. Outra vez, trata-se da avaliação política do próprio candidato, e não de uma conclusão independente sobre as políticas econômicas ou sociais do governo. 

O episódio adiciona um elemento incomum à campanha do segundo turno, justamente porque envolve um candidato recentemente filiado ao PT declarando voto no adversário presidencial do partido. A repercussão deverá continuar principalmente no cenário político de Mato Grosso do Sul, onde Luso já havia construído sua trajetória eleitoral antes de ingressar na legenda petista.

Por enquanto, o quadro objetivo é que Luso de Queiroz, candidato a deputado estadual pelo PT em Mato Grosso do Sul em 2026 e ex-candidato do PSOL à Prefeitura de Campo Grande, anunciou publicamente que votará em Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial. Ele justificou a decisão com críticas à direção partidária, às prioridades políticas de setores da esquerda e à forma como, segundo sua avaliação, o PT conduziu determinadas questões internas. A posição é individual e não altera a candidatura oficial do PT nem representa, por si só, um posicionamento coletivo de outros integrantes da legenda. 

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