Cury se reúne com Flávio e toma decisão sobre o 2º turno

O escritor e ex-candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) decidiu apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. A definição ocorreu nesta quinta-feira (8), após uma conversa entre os dois por videochamada que durou mais de uma hora. O encontro serviu para que Cury apresentasse as condições para declarar seu apoio ao candidato do PL. De acordo com a CNN Brasil, o ex-candidato condicionou a decisão ao compromisso de Flávio com determinadas medidas. As propostas foram formalizadas em uma carta que, segundo informações divulgadas posteriormente, foi assinada pelo candidato. A movimentação ocorre poucos dias depois do primeiro turno, quando Cury ficou fora da disputa pela Presidência e passou a ser procurado pelos grupos que disputam a segunda etapa da eleição. Com a decisão, ele deixa de manter a indefinição sobre seu posicionamento e passa a integrar oficialmente o grupo de ex-candidatos que escolheram um dos dois nomes que continuam na corrida presidencial.
A conversa entre Cury e Flávio aconteceu em meio às negociações políticas que marcaram os primeiros dias após o resultado do primeiro turno. Desde a votação, o escritor vinha sinalizando que não pretendia anunciar imediatamente seu posicionamento. A ideia era avaliar propostas e conversar com os candidatos antes de tomar uma decisão. Cury havia colocado temas de seu programa de governo no centro de suas declarações durante a campanha, principalmente questões relacionadas à educação, à saúde, à proteção de crianças e mulheres e à busca por maior diálogo na política. Por isso, o apoio não foi anunciado simplesmente como uma adesão eleitoral, mas associado a compromissos que o candidato do PL teria aceitado assumir. A carta mencionada nas reportagens passou a ser o principal elemento do acordo entre os dois. Segundo a Folha, Flávio assinou o documento apresentado por Cury, estabelecendo formalmente os compromissos discutidos durante a negociação.
A posição adotada agora também está relacionada à postura que Cury apresentou durante a campanha do primeiro turno. O ex-candidato tentou construir uma candidatura baseada em propostas próprias e, depois do resultado, afirmou que avaliaria cuidadosamente os caminhos para a segunda etapa da eleição. Antes de definir seu apoio, ele chegou a dizer que precisava conversar e analisar os projetos apresentados pelos candidatos que avançaram. A decisão desta quinta-feira, portanto, encerra um período de avaliação iniciado logo após a divulgação do resultado das urnas. Durante esse processo, Cury também havia defendido a necessidade de uma maior pacificação política e institucional no país. Essas questões fizeram parte do discurso utilizado por ele durante a campanha e ajudaram a estabelecer as condições para o apoio anunciado agora. A assinatura da carta por Flávio, conforme informado pela imprensa, foi um dos fatores que permitiram a conclusão do acordo entre os dois.
No primeiro turno, Cury terminou a disputa em terceiro lugar, atrás de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que avançaram para a segunda votação. O candidato do Avante recebeu cerca de 3,4 milhões de votos, correspondentes a aproximadamente 2,9% dos votos válidos, segundo os dados divulgados após a apuração. Embora sua votação tenha ficado distante dos dois primeiros colocados, o posicionamento de Cury ganhou importância no cenário do segundo turno porque representa a transferência de seu apoio político para um dos candidatos que continuam na disputa. Outros nomes que ficaram fora da segunda etapa também começaram a anunciar suas escolhas nos dias seguintes ao primeiro turno. Ronaldo Caiado e Romeu Zema, por exemplo, declararam apoio a Flávio. Essas manifestações passaram a fazer parte da estratégia das campanhas para ampliar alianças e dialogar com eleitores que haviam escolhido outros candidatos na primeira votação.
O apoio de Cury foi definido justamente no momento em que as duas campanhas intensificam as articulações para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. A partir da decisão, o ex-candidato deverá participar da divulgação de sua posição e apresentar aos seus apoiadores as razões que o levaram a escolher Flávio. Segundo informações publicadas pela imprensa, Cury também deve gravar um vídeo para explicar o acordo e os compromissos assumidos pelo candidato do PL. A participação de antigos concorrentes no segundo turno é acompanhada pelas campanhas porque pode representar novas alianças políticas e ampliar o debate sobre propostas apresentadas durante a primeira etapa. No caso de Cury, a carta assinada por Flávio se tornou parte central da decisão e deve servir como referência para a cobrança dos compromissos que foram apresentados durante a conversa entre os dois.
Com o anúncio desta quinta-feira, Augusto Cury passa a ter uma posição definida na disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. O apoio, entretanto, está vinculado aos compromissos que foram discutidos entre Cury e Flávio e formalizados no documento apresentado durante a negociação. A decisão encerra a expectativa sobre qual caminho o ex-candidato seguiria após ficar fora do segundo turno e acrescenta mais um movimento às articulações políticas que antecedem a votação de 25 de outubro. A partir de agora, Cury deverá concentrar sua participação pública na defesa dos pontos que apresentou durante a campanha e que, segundo as informações divulgadas, foram incorporados ao acordo com Flávio. A disputa entra, assim, em uma nova fase, com os dois candidatos buscando consolidar alianças e apresentar suas propostas aos eleitores antes da segunda votação.



