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Débora do Batom quebra o silêncio sobre rotina na cadeia após mudança de regime

Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, voltou a falar publicamente sobre o período em que esteve em unidades prisionais após ser detida por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. Em entrevista concedida depois da mudança para o regime semiaberto, a cabeleireira relatou dificuldades para dormir, se alimentar e enfrentar o frio durante os primeiros dias de custódia. Segundo seu relato, ela permaneceu aproximadamente uma semana em uma unidade prisional de Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. 

De acordo com Débora, o período inicial foi marcado por uma adaptação difícil à rotina da unidade. Ela contou que passou a sentir dores no estômago e encontrou dificuldades para conseguir dormir. Em determinado momento, segundo a própria cabeleireira, passou horas ajoelhada ao lado da cama até conseguir adormecer nessa posição. O relato foi feito em entrevista à TV Oeste e posteriormente repercutiu em outros veículos. 

Outro ponto mencionado por Débora foram as condições que, segundo ela, encontrou na cela. A cabeleireira afirmou que as paredes apresentavam sujeira e que o ambiente tinha pouca ou nenhuma iluminação. Ela também relatou dificuldades relacionadas à alimentação e disse ter passado frio durante sua permanência nas unidades. As informações são baseadas no depoimento da própria Débora e não representam, por si só, uma comprovação independente das condições descritas. 

A cabeleireira também contou um episódio envolvendo um kit de higiene e um cobertor que recebeu ao chegar à unidade. Conforme seu relato, os materiais estavam molhados e, inicialmente, ela imaginou que o líquido poderia ser consequência de uma infiltração ou goteira. Depois, segundo Débora, percebeu que o material teria entrado em contato com urina. O episódio foi apresentado por ela como parte das dificuldades enfrentadas durante o período inicial de detenção.

Além disso, Débora relatou ter passado por uma revista que considerou constrangedora no momento em que chegou à unidade. Segundo a cabeleireira, o procedimento ocorreu enquanto ela estava menstruada. O relato faz parte das lembranças que ela decidiu compartilhar após deixar a unidade prisional e voltar à rotina familiar em prisão domiciliar.

A trajetória de Débora ganhou repercussão nacional durante os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Ela ficou conhecida como “Débora do Batom” depois de ser identificada escrevendo a frase “Perdeu, mané” com batom na estátua A Justiça, localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Posteriormente, ela foi julgada e condenada pela Primeira Turma do STF a 14 anos de prisão por crimes relacionados aos acontecimentos daquele dia. 

Débora foi presa preventivamente em março de 2023 e, posteriormente, passou a cumprir a pena em prisão domiciliar. Em março de 2025, a prisão preventiva foi substituída pela domiciliar, com monitoramento eletrônico e outras condições determinadas pela Justiça. A situação permaneceu dessa forma até a decisão que alterou seu regime de cumprimento da pena. 

Na última terça-feira (6), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou a progressão de Débora para o regime semiaberto. Apesar da mudança jurídica, ela não passou a cumprir a pena em uma unidade prisional. Moraes determinou a manutenção da prisão domiciliar por considerar essa modalidade mais benéfica para o cumprimento da pena, especialmente diante da situação familiar da cabeleireira, que tem filhos menores de idade. 

A decisão levou em consideração também o período já cumprido e os dias de remição obtidos por atividades realizadas durante o cumprimento da pena. Segundo informações divulgadas sobre a decisão, foram reconhecidos dias de redução relacionados ao trabalho, à leitura e à aprovação no Enem para pessoas privadas de liberdade em 2023. Ao todo, a decisão reconheceu 212 dias adicionais de remição.

A progressão havia sido solicitada pela defesa e recebeu manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. De acordo com a decisão, Débora preenchia os requisitos necessários para a mudança de regime. A defesa também busca ampliar as possibilidades de trabalho e de rotina fora de casa, mas eventuais novas autorizações dependem de decisões judiciais específicas. 

Com a mudança, Débora passa a viver uma nova etapa no cumprimento da condenação. Embora permaneça em casa, a progressão para o semiaberto altera sua situação jurídica e permite, dentro das regras estabelecidas pela Justiça, maior possibilidade de circulação durante o dia. A rotina, entretanto, continua sujeita às condições impostas pelo monitoramento e pelas decisões judiciais. 

Ao falar sobre os primeiros dias na prisão, Débora apresentou um relato pessoal sobre uma fase que, segundo ela, foi marcada por dificuldades físicas e emocionais. As declarações voltaram a chamar atenção justamente no momento em que sua situação judicial passou por uma nova mudança. O caso continua sendo acompanhado pela defesa e pelas autoridades responsáveis pela execução da pena, enquanto a cabeleireira tenta reorganizar a vida familiar e profissional dentro das condições determinadas pela Justiça.

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