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Clima racha na base: Eduardo Paes sobe o tom e avisa que não será ‘vassalo’ de Lula

O candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), confirmou nesta quarta-feira (7) que pretende fazer campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026. A declaração foi dada durante uma agenda na Rocinha, na Zona Sul do Rio, e veio acompanhada de uma ressalva: Paes afirmou que seu apoio ao petista não significa concordância integral com as posições do presidente. 

Ao falar sobre a relação política com Lula, Paes destacou que possui gratidão pelo presidente e que pretende votar nele no segundo turno. Ao mesmo tempo, fez questão de diferenciar sua trajetória e suas ideias das do Partido dos Trabalhadores. Segundo o candidato, ele não é filiado ao PT e não pretende ser identificado como alguém que segue automaticamente todas as decisões ou opiniões do presidente.

A declaração ocorre poucos dias depois do primeiro turno das eleições, quando Paes terminou a disputa pelo governo fluminense na segunda colocação. O candidato do PSD recebeu 42,76% dos votos válidos, enquanto Douglas Ruas (PL) alcançou 49,27%. A definição da disputa, porém, ainda está relacionada à situação jurídica da candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), que recebeu mais de 270 mil votos no primeiro turno. 

A situação de Garotinho pode alterar o resultado da disputa no estado. A candidatura do ex-governador está sob análise da Justiça Eleitoral, e seus votos somente serão considerados caso o Tribunal Superior Eleitoral reverta a decisão que rejeitou seu registro. Caso os votos sejam anulados, Douglas Ruas ultrapassaria a marca de 50% dos votos válidos e poderia ter a eleição definida ainda no primeiro turno. Por isso, a configuração final da disputa depende da decisão do TSE. 

Mesmo com a proximidade política declarada entre Paes e Lula, a relação entre os dois não foi marcada pela presença constante do candidato ao governo em todos os eventos realizados pelo presidente durante o primeiro turno. Lula esteve no Rio de Janeiro em diferentes momentos da campanha e declarou apoio à candidatura de Paes, que acabou não participando de algumas das atividades realizadas pelo presidente no estado.

Um dos episódios ocorreu durante um ato de campanha de Lula no Rio, quando o presidente esteve acompanhado de integrantes do PT, aliados e representantes da política fluminense. Paes não participou do evento. O candidato também não esteve presente em uma manifestação que reuniu artistas e personalidades da área cultural durante o primeiro turno. Ainda assim, Lula manteve seu apoio à candidatura de Paes na disputa pelo governo estadual.

A posição de Paes nesta nova etapa da eleição também chama atenção porque ele tenta construir uma identidade política própria. Ao afirmar que votará e fará campanha para Lula, mas que não pensa da mesma maneira em todas as questões, o candidato procura deixar clara a diferença entre uma aliança eleitoral e uma identificação partidária completa. Essa distinção ganhou espaço justamente após o encerramento do primeiro turno, quando alianças e apoios passaram a ser reorganizados para a nova fase da eleição.

No cenário nacional, Lula disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno na primeira colocação. A segunda etapa da votação está marcada para 25 de outubro. No Rio de Janeiro, a movimentação política também envolve a disputa estadual, que poderá ter Douglas Ruas e Eduardo Paes no segundo turno caso a situação dos votos de Garotinho seja definida conforme a decisão atualmente válida. 

O apoio de Paes a Lula também ocorre em um momento de busca por alianças mais amplas. Como candidato ao governo estadual, ele precisa dialogar com diferentes segmentos do eleitorado fluminense, inclusive aqueles que não necessariamente apoiam o presidente. Ao destacar que existem eleitores que votam nele, mas não necessariamente acompanham Lula, Paes sinalizou que pretende preservar uma imagem política independente durante a campanha.

Essa postura também ajuda a explicar a declaração feita na Rocinha. Em vez de apresentar sua relação com Lula como uma identidade política completa, Paes descreveu o apoio como uma escolha eleitoral específica. A estratégia permite que ele mantenha a aliança com o presidente sem deixar de apresentar diferenças em relação ao PT e ao próprio Lula.

A definição do cenário eleitoral do Rio ainda depende dos próximos passos da Justiça Eleitoral. Enquanto a situação de Garotinho não for concluída pelo TSE, a configuração oficial da disputa pelo governo permanece condicionada à análise dos votos do candidato. No plano presidencial, por outro lado, Lula e Flávio Bolsonaro já estão confirmados no segundo turno, e as campanhas entram agora em uma nova fase de articulação política.

Assim, a declaração de Eduardo Paes deixa dois pontos claros: o candidato confirmou que apoiará Lula na disputa presidencial e, ao mesmo tempo, fez questão de afirmar que esse apoio não significa concordância com todas as posições do presidente. A fala reforça a tentativa de Paes de manter uma identidade política própria enquanto aguarda a definição sobre a disputa pelo governo do Rio de Janeiro.

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