PoderData aponta Flávio com 53% e Lula com 47% dos votos válidos no início do 2º turno

A primeira pesquisa de intenção de voto divulgada após o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 53% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% na disputa pelo Palácio do Planalto. O levantamento PoderData/Aya foi divulgado nesta quinta-feira, 8 de outubro, e ouviu eleitores já depois de conhecido o resultado das urnas de domingo. A diferença entre os dois candidatos é de seis pontos percentuais. Como a margem de erro informada pelo instituto é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos, Flávio aparece numericamente à frente e fora do intervalo de empate pela margem declarada nesta rodada.
Considerando todos os entrevistados, e não somente os votos válidos, o cenário apresentado é de 49% para Flávio Bolsonaro e 44% para Lula. A diferença entre essa conta e os 53% a 47% ocorre porque, na apuração de votos válidos, são retiradas as respostas de quem pretende votar em branco ou nulo e de quem ainda não definiu o voto. É esse mesmo critério de votos válidos que a Justiça Eleitoral utiliza para determinar o vencedor de uma eleição presidencial. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
A pesquisa foi realizada entre 5 e 7 de outubro, portanto imediatamente após o primeiro turno, com 3 mil entrevistas distribuídas por 705 municípios das 27 unidades da Federação. Os contatos foram feitos por telefone, incluindo linhas móveis e fixas. O levantamento foi financiado com recursos próprios do PoderData, possui intervalo de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08134/2026. Esses dados metodológicos são importantes porque permitem comparar corretamente o resultado com levantamentos de outros institutos, que podem empregar formas diferentes de coleta e amostragem.
O resultado chama atenção principalmente quando comparado ao que ocorreu no primeiro turno. Nas urnas, Flávio Bolsonaro terminou com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, diferença de 1,87 ponto percentual. Na medição do PoderData realizada agora, essa distância aparece ampliada para seis pontos. Isso não significa que os seis pontos representem necessariamente uma transferência definitiva de eleitores: pesquisas captam a opinião declarada em um determinado período, enquanto a eleição ainda terá mais de duas semanas de campanha, propaganda eleitoral, debates e novas movimentações partidárias antes da votação.
Outro dado do levantamento produz um retrato diferente, mas igualmente relevante, sobre o ambiente político do início do segundo turno. O PoderData perguntou aos entrevistados quem eles acreditam que tem mais chances de vencer a eleição, independentemente de sua própria intenção de voto. Nesse quesito, 54% responderam Flávio Bolsonaro, enquanto 37% apontaram Lula. Outros 9% não souberam responder. Essa pergunta não mede voto e, portanto, não deve ser confundida com os 53% a 47% da disputa direta. Ela mede apenas a percepção dos eleitores sobre quem imaginam que chegará à Presidência.
A mudança nesse indicador foi expressiva quando comparada à rodada anterior. Antes do primeiro turno, em pesquisa realizada de 30 de setembro a 2 de outubro, 48% acreditavam que Lula venceria e 45% apontavam Flávio. Agora, a percepção atribuída ao senador subiu nove pontos, chegando a 54%, enquanto a de Lula caiu 11 pontos, para 37%. Assim, a diferença nesse indicador específico passou de três pontos favoráveis a Lula antes da eleição para 17 pontos favoráveis a Flávio depois do primeiro turno. Novamente, trata-se de expectativa de vitória, não de intenção de voto nem de previsão produzida pelo instituto.
Esse movimento provavelmente será um dos elementos observados pelas duas campanhas. O resultado das urnas colocou Flávio na liderança do primeiro turno e produziu, nos dias seguintes, uma série de anúncios de apoio de candidatos e partidos que ficaram fora da etapa decisiva. Ao mesmo tempo, Lula iniciou uma estratégia para recuperar eleitores, aumentar a participação em regiões nas quais teve desempenho mais forte e conquistar parte dos cidadãos que escolheram outras candidaturas. O segundo turno começa, portanto, com um universo importante de eleitores ainda sendo disputado, além daqueles que não compareceram à votação de 4 de outubro.
Outro aspecto que merece atenção é a rejeição. Na rodada anterior do PoderData/Aya, realizada às vésperas do primeiro turno, Lula era rejeitado por 47% dos entrevistados, enquanto Flávio aparecia com 46%. As taxas eram estatisticamente semelhantes. Levantamentos desse tipo ajudam a explicar por que a disputa continua fortemente polarizada: além de tentar conquistar novos votos, cada candidato precisa evitar que a resistência ao próprio nome se transforme em mobilização a favor do adversário. No segundo turno, quando existem somente duas opções de candidatura, esse componente costuma ter importância ainda maior.
Também será necessário comparar o PoderData com as próximas pesquisas. O Datafolha tem levantamento registrado com 2.520 entrevistas presenciais realizadas entre 6 e 8 de outubro e margem de erro de dois pontos percentuais. Já a AtlasIntel registrou uma pesquisa com previsão de cinco mil entrevistas e margem de erro de um ponto, com divulgação prevista para sexta-feira, 9. Como cada instituto possui metodologia própria, diferenças entre resultados são possíveis e não significam necessariamente erro de um ou outro levantamento. Uma sequência de pesquisas costuma oferecer uma visão mais informativa do movimento do eleitorado do que um único número isolado.
A comparação com pesquisas realizadas antes do primeiro turno também exige cautela. Em 1º de outubro, por exemplo, o Real Time Big Data mostrava Flávio com 46% e Lula com 45% em uma simulação de segundo turno, resultado considerado empate técnico devido à margem de erro de dois pontos. O próprio PoderData, às vésperas da primeira votação, havia encontrado um cenário muito mais equilibrado. O resultado divulgado agora indica uma alteração no momento medido pelo instituto, mas ainda será necessário observar se essa diferença se mantém nas próximas rodadas e aparece também em pesquisas conduzidas por outras empresas.
A campanha eleitoral do segundo turno ainda está em seus primeiros dias. A propaganda gratuita volta a ocupar rádio e televisão, alianças continuam sendo negociadas e os candidatos terão tempo para direcionar suas estratégias aos segmentos nos quais precisam crescer. Também existem milhões de eleitores que votaram em candidatos eliminados no primeiro turno ou que se abstiveram. Esse conjunto pode alterar substancialmente os percentuais até 25 de outubro. Por isso, mesmo uma vantagem estatística em determinada pesquisa não equivale a um resultado eleitoral antecipado.
O dado concreto desta quinta-feira é que o PoderData/Aya registra Flávio Bolsonaro com 53% contra 47% de Lula entre os votos válidos, naquela que é a primeira pesquisa divulgada pelo instituto já inteiramente dentro do segundo turno. Além disso, 54% dos entrevistados dizem acreditar que Flávio tem mais chance de vencer, contra 37% que apontam Lula. O levantamento oferece o primeiro retrato dessa nova fase da corrida presidencial, mas as próximas pesquisas — especialmente Datafolha e AtlasIntel — serão importantes para verificar se o cenário observado pelo PoderData se confirma, se a distância diminui ou se surgem tendências diferentes ao longo das próximas semanas.



