AtlasIntel prepara primeira pesquisa do 2º turno após resultado apertado entre Flávio Bolsonaro e Lula

A primeira pesquisa AtlasIntel inteiramente realizada depois do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 já está registrada na Justiça Eleitoral e deverá ser divulgada na sexta-feira, 9 de outubro. O levantamento vai medir diretamente o confronto entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que avançaram para a etapa decisiva da disputa pelo Palácio do Planalto. Segundo o registro divulgado pelos veículos que acompanham a corrida presidencial, a AtlasIntel pretende entrevistar 5 mil eleitores, utilizando questionário estruturado pela internet e metodologia de pós-estratificação da amostra. A margem de erro prevista é de apenas um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03663/2026.
A expectativa em torno do levantamento aumentou depois do resultado extremamente equilibrado registrado nas urnas no domingo. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual. Foi uma das menores distâncias entre os dois primeiros colocados desde a redemocratização. Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula ficou na frente em 12 estados. Regionalmente, o presidente manteve ampla vantagem no Nordeste, enquanto o candidato do PL apresentou desempenho superior nas demais regiões, com destaque para o Sul. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, o que deixa pouco menos de três semanas para que as campanhas tentem ampliar seus respectivos eleitorados.
O novo levantamento será especialmente observado porque a pesquisa AtlasIntel divulgada na véspera do primeiro turno apresentou um cenário diferente daquele confirmado posteriormente pelas urnas. Publicado em 3 de outubro, o levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrava Lula com 47% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 44,1%. A pesquisa havia entrevistado 4.945 eleitores entre 27 de setembro e 2 de outubro e também tinha margem de erro de um ponto percentual. No resultado efetivo da eleição, entretanto, Flávio terminou com 47,03% e Lula com 45,16%, invertendo a colocação apontada pelo levantamento. Isso não significa que pesquisas eleitorais sejam uma contagem antecipada de votos: elas representam uma fotografia da opinião dos entrevistados durante determinado período e estão sujeitas a variações de amostragem, mudanças de decisão até o momento da votação e diferenças de comparecimento. Ainda assim, nesse caso específico, a diferença entre a medição divulgada pela AtlasIntel e o resultado final ultrapassou a margem declarada para alguns dos números e também houve inversão da liderança.
Curiosamente, a simulação de segundo turno feita naquele mesmo levantamento já indicava uma disputa praticamente dividida ao meio. A AtlasIntel projetava Lula com 50,1% dos votos válidos e Flávio com 49,9%, uma diferença de apenas 0,2 ponto percentual e, portanto, dentro da margem de erro. Em votos totais, os números eram 47,6% para Lula e 47,4% para Flávio. Como aqueles dados foram coletados antes da votação de domingo, eles não refletem necessariamente o ambiente político criado depois do primeiro turno. Desde então, candidatos derrotados e diferentes partidos começaram a anunciar seus posicionamentos para a segunda etapa, enquanto as campanhas passaram a buscar os eleitores que votaram em outras candidaturas ou não compareceram. Por isso, a pesquisa prevista para sexta-feira terá um valor particular: será uma das primeiras medições capazes de mostrar o cenário depois de os brasileiros conhecerem o resultado efetivo das urnas.
O universo desses eleitores pode ser decisivo. Os candidatos que ficaram fora do segundo turno somaram aproximadamente 7,8% dos votos válidos, enquanto a abstenção chegou a cerca de 33,4 milhões de eleitores. As duas campanhas passaram, portanto, a trabalhar simultaneamente em duas frentes: conquistar quem escolheu uma terceira candidatura e tentar levar às urnas parte das pessoas que não votaram no primeiro turno. Flávio recebeu apoios de lideranças que concorreram na primeira etapa, enquanto Lula tenta ampliar sua mobilização principalmente em regiões onde já obteve vantagem, além de reduzir a diferença nos maiores colégios eleitorais. Especial atenção é dada a São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados com grande peso no total nacional. No Nordeste, onde Lula registrou 63,8% dos votos, a quantidade de eleitores ausentes também passou a ser tratada pelas campanhas como um elemento importante da estratégia para 25 de outubro.
A AtlasIntel não será o único instituto a publicar números nesta semana. O Datafolha registrou levantamento com 2.520 entrevistas presenciais, realizadas entre 6 e 8 de outubro, margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-02949/2026. O PoderData, por sua vez, programou 3 mil entrevistas entre 5 e 7 de outubro, com margem prevista de 1,8 ponto percentual e registro BR-08134/2026. Datafolha e PoderData têm divulgação prevista para quinta-feira, 8, enquanto a AtlasIntel deverá apresentar seus resultados na sexta-feira. A sequência permitirá comparar metodologias diferentes — entrevistas presenciais, outros formatos de coleta e recrutamento digital — e observar se os institutos convergem para um mesmo cenário ou apresentam diferenças relevantes na largada do segundo turno.
A proximidade entre os candidatos torna especialmente importante interpretar corretamente qualquer pesquisa divulgada. Uma vantagem de um ou dois pontos não necessariamente significa liderança estatisticamente consolidada quando a diferença está dentro da margem de erro. Da mesma forma, pequenas oscilações entre dois levantamentos podem representar apenas variações amostrais, principalmente quando foram conduzidos em períodos diferentes ou por metodologias distintas. Para identificar uma tendência mais consistente, normalmente é mais útil acompanhar uma série de pesquisas ao longo dos dias do que tratar um único levantamento como previsão do resultado. A eleição só será definida pelos votos efetivamente depositados nas urnas em 25 de outubro.
Outro fator que tende a modificar o cenário é o início da propaganda eleitoral do segundo turno. O horário eleitoral gratuito retorna nesta sexta-feira, 9, e os dois candidatos terão tempos iguais de exposição. Flávio Bolsonaro abrirá a propaganda em rede, seguido por Lula, de acordo com as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Cada campanha terá 12 minutos e 30 segundos na divisão prevista para o rádio e a televisão, além das inserções distribuídas ao longo da programação. A propaganda começa justamente no mesmo dia em que a AtlasIntel deverá divulgar seus números, o que significa que essa primeira pesquisa refletirá sobretudo os efeitos imediatos do primeiro turno e das primeiras movimentações políticas, antes de a nova fase da campanha televisiva produzir impacto significativo.
A divulgação de sexta-feira será, portanto, uma referência inicial para medir como os eleitores reagiram à passagem de Lula e Flávio Bolsonaro para o segundo turno. Não haverá, porém, resultado antecipado: mesmo uma diferença estatisticamente relevante representará apenas o momento em que as entrevistas foram realizadas. Com uma campanha curta, novos debates, alianças partidárias, propaganda eleitoral e milhões de eleitores ainda em disputa, o cenário poderá continuar mudando até a votação.
Por enquanto, o dado concreto é que Flávio Bolsonaro saiu do primeiro turno numericamente à frente, com 47,03%, contra 45,16% de Lula, enquanto a última AtlasIntel anterior à eleição apontava uma configuração diferente. Agora, os olhos estarão voltados para o levantamento de 5 mil entrevistas, com margem de erro de um ponto percentual, que deverá ser conhecido em 9 de outubro. Será a primeira oportunidade de avaliar, pela metodologia da AtlasIntel, como está a corrida depois de os dois candidatos efetivamente iniciarem a batalha pelo segundo turno.



