Vitória de Flávio Bolsonaro poderia afetar o cinema brasileiro, avalia Variety

A disputa pela Presidência da República ganhou mais um capítulo envolvendo o setor cultural. Em uma análise publicada nesta quarta-feira (7), a revista americana Variety avaliou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia mudar o cenário atual do cinema brasileiro e gerar incertezas para produtores, diretores e demais profissionais do audiovisual.
A avaliação ocorre justamente em um momento de maior destaque internacional para o cinema produzido no Brasil. Nos últimos anos, filmes nacionais voltaram a ocupar espaço em grandes festivais e premiações, enquanto políticas públicas de incentivo ajudaram a movimentar diferentes áreas da cadeia audiovisual.
Segundo a reportagem da Variety, representantes do setor demonstraram preocupação durante o Festival do Rio com a possibilidade de uma mudança na política cultural do país. Parte dos profissionais ouvidos pela publicação considera que a continuidade dos mecanismos de incentivo é importante para manter o ritmo de produção alcançado recentemente.
Um dos pontos lembrados na análise é o desempenho recente de produções brasileiras no exterior. Em 2025, “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, tornou-se o primeiro filme brasileiro a conquistar um Oscar. O longa também ampliou a visibilidade internacional do cinema nacional.
Outro exemplo citado é “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que recebeu dois prêmios no Festival de Cannes de 2025. O desempenho dessas produções ajudou a reforçar a percepção de que o audiovisual brasileiro possui espaço para competir em grandes eventos internacionais.
Para profissionais do segmento, porém, premiações são apenas uma parte dessa trajetória. Por trás de cada filme existe uma cadeia formada por roteiristas, atores, técnicos, produtores, distribuidores, empresas e trabalhadores de diversas especialidades. É justamente essa estrutura que desperta atenção durante a campanha presidencial.
A Variety relacionou a preocupação do setor às diferenças entre os modelos de política cultural adotados nos últimos governos. A publicação afirma que o audiovisual enfrentou dificuldades durante a administração de Jair Bolsonaro, com redução de recursos destinados à Ancine e ao Fundo Setorial do Audiovisual.
Com o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, o governo anunciou novos investimentos para o cinema e a televisão, além da continuidade de mecanismos de incentivo. A publicação menciona uma previsão de R$ 1,6 bilhão para apoiar produções nacionais.
O tema também aparece nos programas apresentados pelos candidatos. Segundo levantamento do Nexo, Lula defende a continuidade das políticas de fomento cultural, enquanto outros concorrentes propõem mudanças nas regras de financiamento.
No caso de Flávio Bolsonaro, seu plano de governo apresenta poucas propostas específicas para a área cultural. Uma análise publicada pela Folha de S.Paulo aponta que o candidato fala de maneira mais geral sobre desenvolvimento regional e mudanças nas leis de incentivo. O que pode acontecer se Flávio vencer?
É importante destacar que a avaliação apresentada pela Variety representa uma análise e a preocupação de profissionais do setor, não uma confirmação de que o cinema brasileiro necessariamente perderia investimentos em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
O plano registrado pelo candidato no Tribunal Superior Eleitoral reúne propostas para áreas como economia, saúde, educação, segurança e administração pública. A cultura aparece de maneira menos detalhada em comparação com outros setores. Por isso, uma eventual mudança dependeria das decisões tomadas pelo novo governo, do orçamento aprovado e também das discussões realizadas no Congresso Nacional.



