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Alcolumbre garante ao Planalto votação da 6×1, mas “sem atropelos”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), garantiu a ministros do Palácio do Planalto que a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 será levada a votação na próxima semana. A sinalização foi feita em conversa realizada nesta terça-feira (6) com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), que repassou o teor do encontro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O compromisso contempla a análise da matéria antes do segundo turno das eleições, marcado para o dia 25 de outubro, com a expectativa de que o primeiro turno de votação ocorra já nos próximos dias.

Publicamente, no entanto, o tom adotado por Alcolumbre é mais reservado. Ao chegar ao Senado, ele declarou a jornalistas que pretende seguir rigorosamente o rito estabelecido no Regimento Interno, “sem atropelos e sem antecipações indevidas”. Pelas regras vigentes, são exigidas cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno. Três delas estão previstas para esta semana, e as duas restantes devem acontecer na semana seguinte. Cumprida essa etapa, a proposta estará apta a ser submetida ao plenário.

Para que a votação se encerre definitivamente antes do dia da eleição, seria necessário adotar um calendário especial que reduzisse os intervalos regimentais — medida que o presidente da Casa não assumiu como compromisso. Alcolumbre já afirmou que não deseja que a tramitação seja conduzida de forma a confundir o debate legislativo com a disputa eleitoral, buscando preservar a autonomia do Senado diante do processo eleitoral. A postura reflete o equilíbrio delicado entre a agilidade que o governo deseja e a serenidade que a oposição reivindica.

O fim da escala 6×1 é uma das pautas centrais que o governo pretende destacar na campanha do segundo turno. A avaliação dos aliados é que o tema tem força para mobilizar parcelas expressivas do eleitorado e colocar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) em posição de defesa, já que sua proposta alternativa difere daquela defendida pelo Planalto. A medida prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso garantidos e sem diminuição de remuneração.

O cenário parlamentar, porém, apresenta desafios. O avanço de legendas de oposição na composição do novo Senado aumentou a incerteza sobre a obtenção dos 49 votos necessários para aprovar uma emenda constitucional. Integrantes da base governista reconhecem que ainda não há certeza quanto à formação da maioria e que a resistência entre os senadores cresceu após o resultado do primeiro turno. Cada voto passa a ser disputado com atenção, e a articulação política trabalha para consolidar apoios que ainda não estão definidos.

Do lado da oposição, a alternativa apresentada pelo coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), ganha espaço como contraponto. A proposta defende que a redução da jornada seja definida por acordo direto entre trabalhador e empregador, com remuneração ajustada de forma proporcional às horas efetivamente trabalhadas. Os defensores desse modelo argumentam que ele traz flexibilidade e se adapta à realidade de cada setor, enquanto os críticos destacam o risco de perda de renda para os trabalhadores.

A disputa não é apenas sobre números na lei, mas sobre o que a sociedade entende como justo e viável para as relações de trabalho. A PEC em tramitação e a proposta alternativa representam visões diferentes sobre proteção, renda e organização da vida profissional. Cabe ao Senado, no exercício de sua função legislativa, debater com clareza e decidir com responsabilidade, e ao eleitor acompanhar cada passo, avaliar os argumentos e escolher no dia 25 de outubro o projeto que melhor atende aos interesses do Brasil.

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