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Fala de Flávio sobre Constituição acende alerta entre aliados no 2º turno

Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que o candidato do PL precisa ter cautela na reta final da disputa presidencial e evitar declarações que possam transmitir a ideia de que uma eventual vitória já estaria garantida. Entre os principais pontos de preocupação está a fala sobre uma possível mudança na Constituição para “redemocratizar o país”, feita pelo senador durante agenda em Goiânia. Segundo os interlocutores, embora Flávio tenha terminado o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, a vantagem não seria suficiente para tratar o segundo turno como uma etapa já definida.

A preocupação aumentou depois de Flávio mencionar a possibilidade de contar com uma maioria de parlamentares de direita no Congresso para promover alterações constitucionais. A declaração ocorreu durante um evento em que recebeu o apoio do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. Na avaliação de aliados ouvidos pelo blog, o discurso pode abrir espaço para interpretações de que o candidato pretende promover mudanças institucionais de grande alcance, especialmente em um momento de forte polarização política. Por isso, esses interlocutores defendem uma comunicação mais cuidadosa durante a campanha.

A fala também foi usada por aliados de Lula para fazer críticas ao candidato do PL. Integrantes da campanha petista afirmaram que a proposta poderia representar risco às regras democráticas. Pessoas próximas a Flávio, entretanto, procuraram afastar essa interpretação e disseram que ele não estaria defendendo medidas autoritárias. Eles lembraram ainda que a Constituição possui as chamadas cláusulas pétreas, que protegem princípios como o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais, impedindo sua eliminação por meio de emenda constitucional.

Na interpretação desses aliados, a intenção de Flávio seria destacar que uma eventual maioria no Congresso daria condições políticas para avançar com propostas que dependem do Legislativo. Entre os exemplos mencionados estão a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e mudanças relacionadas ao Judiciário. Mesmo assim, os interlocutores consideram que o candidato deve evitar um discurso que possa alimentar a percepção de que pretende concentrar poderes ou alterar regras fundamentais do sistema político. A orientação, portanto, é deixar mais claras as propostas e seus caminhos institucionais.

Na primeira semana do segundo turno, Flávio também conseguiu importantes declarações de apoio político. Além de Ronaldo Caiado, o senador recebeu o apoio do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e de partidos como União Brasil e Progressistas. Republicanos e Podemos também avaliavam seu posicionamento. A estratégia da campanha é ampliar a votação obtida no primeiro turno e conquistar parte significativa dos eleitores que escolheram outros candidatos, especialmente aqueles identificados com o campo da direita. Essa busca por alianças ocorre enquanto Flávio tenta preservar a vantagem registrada na primeira etapa da eleição.

Diante das críticas, Flávio adotou um tom mais moderado nesta quarta-feira (7) e afirmou que respeita a Constituição e que pretende garantir segurança jurídica. O candidato também rejeitou as avaliações de que poderia adotar medidas autoritárias caso chegasse ao Palácio do Planalto. Ao responder às críticas, afirmou que era necessário “aterrizar no mundo real” e pediu que o debate não fosse transformado em uma disputa de torcida. A mudança de discurso ocorre justamente no momento em que seus próprios aliados recomendam cautela, evitando um clima de “já ganhou” e reforçando que o segundo turno ainda será disputado nas urnas.

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