Grandes igrejas evangélicas enfrentam derrotas nas eleições de 2026

As eleições de 2026 trouxeram uma mudança importante no cenário político ligado às igrejas evangélicas. Apesar da forte presença desse eleitorado na disputa nacional, candidatos apoiados diretamente por grandes denominações não conseguiram repetir o desempenho esperado nas urnas.
O resultado chamou atenção principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, estados onde algumas das maiores organizações religiosas haviam preparado candidaturas para ampliar sua representação política. A estratégia, porém, não funcionou em vários casos.
Entre os exemplos mais comentados está o grupo ligado à Igreja Internacional da Graça de Deus, liderada pelo pastor R. R. Soares. Quatro de seus filhos disputaram a reeleição, mas nenhum conseguiu garantir um novo mandato. A informação foi destacada em levantamento sobre o desempenho das candidaturas religiosas nas eleições deste ano.
Situação semelhante ocorreu com o Ministério de Madureira da Assembleia de Deus do Brás. A denominação pretendia eleger quatro deputados somente em São Paulo, mas terminou a eleição sem conseguir atingir esse objetivo.
Um dos nomes conhecidos desse grupo, Cezinha de Madureira, do PL, também não conseguiu renovar o mandato. Ele recebeu 60.596 votos e terminou como segundo suplente. Embora ainda exista a possibilidade de assumir uma cadeira durante a legislatura, o resultado ficou abaixo da expectativa inicial. O cenário não surgiu de repente. Durante a campanha, já havia sinais de que a presença de candidatos identificados diretamente com cargos religiosos estava mudando.
Um levantamento do Poder360 mostrou que o número de candidaturas com termos religiosos no nome de urna caiu 42% em comparação com 2022. Foram identificados 381 registros em 2026, contra 657 na eleição anterior. Entre os termos mais utilizados estavam “pastor”, “bispo”, “diácono” e “missionário”.
Isso não significa que os evangélicos tenham perdido importância eleitoral. Pelo contrário. A religião continua sendo um dos elementos presentes no debate político brasileiro, mas o eleitorado evangélico está longe de formar um bloco único.
Uma pesquisa divulgada pela Agência Brasil antes da votação mostrou justamente essa diversidade. Segundo o levantamento citado pela reportagem, muitos fiéis não defendem que as igrejas sejam transformadas em espaços de campanha ou que líderes religiosos determinem o voto dos membros. Outro ponto que ganhou força nesta eleição foi a diferença entre ter o apoio de uma igreja e conquistar efetivamente o voto do eleitor.
Durante anos, algumas denominações construíram estruturas políticas organizadas, com indicação de candidatos e mobilização de seus membros. Em 2026, porém, parte desses nomes enfrentou concorrentes com forte presença nas redes sociais e capacidade de dialogar diretamente com o público.
O próprio resultado da bancada evangélica mostra essa transformação. Segundo levantamento publicado após a eleição, quatro dos cinco ex-presidentes da Frente Parlamentar Evangélica que buscavam permanecer no Congresso não conseguiram se reeleger.
Ao mesmo tempo, novos nomes ligados ao segmento religioso ganharam espaço. Isso indica que a mudança não representa necessariamente uma redução da influência evangélica na política, mas uma renovação dos representantes escolhidos pelos eleitores.
Apesar das derrotas, seria precipitado afirmar que as grandes igrejas deixaram de ter influência. Algumas denominações conseguiram manter representantes no Congresso e nas assembleias estaduais. A Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, conseguiu reeleger Marcos Pereira para a Câmara dos Deputados em São Paulo. Outros candidatos ligados ao grupo, entretanto, não tiveram o mesmo desempenho.



