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NYT aponta que igrejas evangélicas ganharam espaço no Brasil

O crescimento da participação evangélica na sociedade brasileira ganhou um novo capítulo no debate político. Um artigo de opinião publicado pelo jornal norte-americano The New York Times, assinado pela socióloga política Elizabeth McKenna, aponta que o fortalecimento das igrejas evangélicas ajuda a entender parte das mudanças no comportamento eleitoral do país.

A análise não trata a religião como uma explicação única para o avanço da direita. A proposta é observar uma transformação mais ampla na forma como os brasileiros se organizam, convivem em comunidade e recebem informações políticas. Segundo McKenna, enquanto algumas organizações tradicionais perderam espaço, redes ligadas a igrejas passaram a ocupar uma parcela importante desse ambiente.

Durante décadas, sindicatos, associações comunitárias e partidos tiveram papel relevante na mobilização de trabalhadores e moradores de diferentes regiões. Com o passar do tempo, porém, parte dessas estruturas perdeu participação no cotidiano de muitas comunidades.

O artigo publicado no NYT relaciona esse processo ao crescimento das igrejas evangélicas, principalmente das comunidades pentecostais. A presença frequente nos bairros, os encontros semanais e as redes de apoio criadas entre os fiéis são apontados como elementos que ajudam essas instituições a manter uma relação próxima com a população.

Os números ajudam a dimensionar essa mudança. De acordo com os dados apresentados na análise, a parcela de brasileiros que se declaravam evangélicos passou de cerca de 9% em 1991 para 27% em 2022. Isso representa uma transformação importante no perfil religioso do país.

Mais do que locais destinados aos cultos, muitas igrejas funcionam também como espaços de convivência. É ali que algumas pessoas encontram apoio, participam de atividades, fazem amizades e mantêm contato com uma rede social próxima.

Essa característica pode ter consequências na política. Quando assuntos públicos aparecem nas conversas cotidianas, os valores defendidos por uma comunidade religiosa podem influenciar a maneira como determinados temas são avaliados.

Uma pesquisa divulgada pela Agência Brasil recentemente reforça a importância das redes digitais nesse processo. O levantamento apontou que 66% dos entrevistados utilizam o WhatsApp como espaço de articulação de comunidades e grupos religiosos. Assim, mensagens relacionadas à fé e à política podem circular entre familiares, amigos e integrantes das mesmas comunidades, mesmo fora do ambiente dos templos.

A aproximação entre setores evangélicos e a direita ganhou maior visibilidade nos últimos anos, especialmente a partir da eleição de Jair Bolsonaro em 2018. No entanto, pesquisadores destacam que a relação entre evangélicos e política não é uniforme.

Existem grupos religiosos com diferentes posições ideológicas e candidatos evangélicos que apoiam projetos distintos. A própria presença de representantes religiosos ligados a diferentes campos políticos mostra que não existe uma única preferência eleitoral entre os fiéis.

Ainda assim, algumas lideranças tiveram papel importante na construção de uma agenda conservadora. Estudos sobre o tema mostram que setores do movimento evangélico passaram de uma posição de participação mais próxima de governos de centro-esquerda para uma atuação mais alinhada à direita política. O assunto ganhou força durante as eleições de 2026. A disputa presidencial e a renovação do Congresso mostraram mais uma vez a importância do eleitorado religioso nas estratégias dos partidos e candidatos.

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