Janja sobe o tom contra Flávio Bolsonaro e faz alerta: Pode silenciar mulheres se eleito

A primeira-dama Janja Lula da Silva voltou a se manifestar sobre a disputa presidencial de 2026 e direcionou críticas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). Em uma publicação feita nas redes sociais na noite de segunda-feira (5), Janja afirmou que uma eventual eleição do senador poderia representar, na avaliação dela, um risco de “silenciamento” para as mulheres brasileiras. A declaração ocorreu em meio à repercussão de um vídeo envolvendo Flávio e sua esposa, Fernanda Bolsonaro.
Na publicação, Janja relacionou o comportamento atribuído ao candidato no episódio ao que, segundo ela, poderia ocorrer durante uma eventual gestão presidencial. “Votar em Flávio Bolsonaro é incentivar que crianças tenham armas. É permitir que mulheres sejam silenciadas”, escreveu a primeira-dama. A declaração faz parte da estratégia de comunicação adotada por Janja durante a campanha, na qual ela participou de eventos e utilizou suas redes sociais para defender pautas relacionadas às mulheres e apoiar a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manifestação acontece poucos dias depois de Janja já ter utilizado as redes sociais para abordar questões relacionadas à campanha de Flávio. Em 30 de setembro, a primeira-dama publicou um vídeo no qual citou episódios envolvendo o candidato, seu pai, Jair Bolsonaro, e integrantes de sua chapa. Na ocasião, Janja também fez críticas à forma como declarações de Lula estavam sendo apresentadas por adversários durante a campanha eleitoral.
A relação de Flávio com a pauta feminina tornou-se um dos assuntos presentes na campanha presidencial. O próprio candidato utilizou sua família em peças eleitorais e destacou a participação das mulheres em sua trajetória. Em agosto, uma propaganda eleitoral apresentou Fernanda Bolsonaro e as duas filhas do casal, enquanto Fernanda afirmou que havia contribuído para que o marido adotasse uma postura mais “moderada”. A campanha também procurou ampliar a aproximação de Flávio com o eleitorado feminino.
Janja, por sua vez, participou ativamente da campanha de Lula durante o primeiro turno. Levantamento divulgado pelo Poder360 apontou que a primeira-dama esteve em 29 eventos eleitorais entre 16 de agosto e 3 de outubro. Além disso, manteve uma agenda própria, com compromissos relacionados a diferentes temas, incluindo sete eventos voltados especificamente para pautas femininas.
Dois dias antes do primeiro turno, Janja também havia feito um apelo direcionado às eleitoras brasileiras. Em vídeo publicado nas redes sociais, pediu que as mulheres escolhessem candidatas comprometidas com pautas femininas e defendeu a candidatura de Lula à Presidência. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral citados pelo Poder360, as mulheres representavam 34,88% das candidaturas nas eleições de 2026, percentual considerado recorde proporcional para uma eleição brasileira.
O novo posicionamento da primeira-dama ocorre agora em um cenário diferente daquele do primeiro turno. Flávio Bolsonaro e Lula avançaram para a segunda etapa da eleição presidencial, marcada para 25 de outubro. Com a disputa reduzida aos dois candidatos mais votados, as campanhas passaram a concentrar esforços na conquista dos eleitores que escolheram outros nomes na primeira votação, além de buscar ampliar a participação de segmentos específicos do eleitorado.
Nesse contexto, a pauta relacionada às mulheres tende a permanecer presente na campanha. As duas candidaturas têm procurado dialogar com esse público, que representa uma parcela majoritária do eleitorado brasileiro. Flávio já utilizou a presença de sua esposa e de suas filhas em materiais eleitorais, enquanto Lula conta com a participação frequente de Janja em atos e manifestações voltadas às mulheres.
A declaração de Janja, portanto, deve ser entendida como uma manifestação política em defesa da candidatura de Lula e uma crítica direta ao adversário que avançou para o segundo turno. A primeira-dama apresentou sua interpretação sobre as consequências que uma eventual vitória de Flávio poderia ter para as mulheres, enquanto a campanha do candidato do PL tem buscado apresentar uma imagem de proximidade com esse público por meio de sua família e de suas propostas.
A segunda etapa da eleição deverá ampliar esse tipo de confronto de ideias e posicionamentos. Até a votação de 25 de outubro, Lula e Flávio terão novas oportunidades para apresentar propostas, responder às críticas dos adversários e dialogar com os diferentes grupos que formam o eleitorado brasileiro. A discussão sobre direitos das mulheres, participação feminina na política e políticas públicas voltadas para esse segmento deverá continuar entre os temas presentes na campanha.



