Geral

Flávio Bolsonaro define futuro do Bolsa Família se vencer a eleição

O Bolsa Família voltou ao centro do debate eleitoral durante uma transmissão ao vivo de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026. Ao abordar o futuro do principal programa de transferência de renda do país, o senador afirmou que pretende manter o reajuste anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse que pretende adotar outras medidas relacionadas ao benefício caso seja eleito. 

Durante a transmissão, Flávio voltou a questionar o momento escolhido pelo governo federal para anunciar a atualização dos valores do Bolsa Família. O reajuste foi oficializado em setembro e passou a valer na folha de outubro. O piso do programa subiu de R$ 600 para R$ 691 por família, uma correção de 15,04% baseada na variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. 

Ao comentar a medida, Flávio associou o anúncio ao cenário eleitoral e às pesquisas divulgadas naquele período. “Você acha que vai comprar o voto do pobre? Dando 90 reais a mais pro pobre?”, questionou o candidato durante a live. A declaração faz parte das críticas que ele já havia apresentado anteriormente sobre o reajuste, especialmente em relação à proximidade entre a decisão do governo e o primeiro turno das eleições. 

Apesar das críticas ao momento do anúncio, Flávio afirmou que pretende manter o novo valor caso seja eleito. Segundo o candidato, os beneficiários do programa não perderiam o reajuste implementado pelo atual governo. “Comigo tá garantido o Bolsa Família. Vou manter esse reajuste, só que vou fazer muito mais do que isso”, declarou. A fala representa uma mudança importante em relação à crítica inicial, já que o senador passou a defender a continuidade do aumento caso assuma a Presidência. 

Na mesma declaração, Flávio citou uma medida adotada durante o governo de Jair Bolsonaro em 2022. Naquele ano, o benefício mínimo do então Auxílio Brasil passou de R$ 400 para R$ 600. O candidato destacou esse aumento ao afirmar que o valor de R$ 600 foi estabelecido durante a gestão de seu pai e utilizou a comparação para apresentar sua proposta de ampliar as ações relacionadas ao programa social. 

O reajuste atual do Bolsa Família foi apresentado pelo governo Lula como uma recomposição do poder de compra das famílias beneficiárias. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a atualização de 15,04% corresponde à inflação acumulada medida pelo INPC desde março de 2023. Com a mudança, além do piso de R$ 691, o benefício médio estimado passou de R$ 675 para R$ 777. 

Os novos valores começaram a fazer parte da folha de outubro, e os pagamentos estão previstos para ocorrer de maneira escalonada a partir de 19 de outubro, conforme o final do Número de Identificação Social (NIS). Também foram atualizados os valores adicionais destinados a diferentes grupos de beneficiários, incluindo crianças pequenas, gestantes, nutrizes e jovens. 

O tema ganhou ainda mais importância no segundo turno porque o Bolsa Família atende milhões de famílias e passou a ocupar espaço relevante nas discussões entre os dois candidatos que continuam na disputa presidencial. Levantamento divulgado pelo UOL mostrou que o programa permanece especialmente presente em municípios com elevada proporção de beneficiários, embora os dados eleitorais indiquem que o impacto do benefício não pode ser associado isoladamente ao comportamento do eleitorado. 

A discussão sobre o programa também envolve diferentes propostas para o futuro. Enquanto Lula defende a manutenção e a ampliação de políticas sociais, Flávio afirma que pretende preservar o reajuste mais recente e adotar medidas adicionais. Outros candidatos que participaram do primeiro turno também apresentaram propostas relacionadas a regras de permanência, qualificação profissional e integração de beneficiários ao mercado de trabalho, mostrando que o Bolsa Família se tornou um dos assuntos centrais da campanha. 

Com a eleição presidencial agora concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro, o futuro do Bolsa Família deve continuar entre os principais temas da campanha até a votação de 25 de outubro. A declaração do candidato do PL estabelece que, em caso de vitória, o reajuste que elevou o benefício mínimo para R$ 691 seria mantido. Ao mesmo tempo, Flávio afirma que pretende ir além do valor atualmente previsto, embora os detalhes sobre quais novas medidas seriam adotadas ainda dependam de propostas mais específicas.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: