PL rejeita acordo e já articula próximo passo no Senado, diz jornal

O Partido Liberal (PL) decidiu manter a pressão política pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo diante das discussões sobre possíveis acordos institucionais após as eleições de 2026. A estratégia da legenda prevê a apresentação de novos pedidos no Senado em 2027 e coloca os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino entre os principais alvos da articulação.
A movimentação ocorre em um cenário de forte disputa política em torno do papel do Supremo e da relação entre os Poderes. Dentro do PL, a avaliação é de que a próxima composição do Senado poderá oferecer condições para que pedidos de impeachment sejam novamente colocados em discussão. A legenda, porém, ainda dependerá da construção de uma maioria qualificada para que qualquer processo avance até a perda do cargo.
Segundo a articulação atribuída ao partido, integrantes do PL trabalham com a estimativa de contar atualmente com 49 votos favoráveis ao afastamento de Alexandre de Moraes. Esse número, entretanto, ainda estaria abaixo do necessário para a aprovação definitiva de um impeachment no Senado. Pelas regras constitucionais, são necessários 54 votos, equivalentes a dois terços dos integrantes da Casa, para condenar um ministro do Supremo em um processo dessa natureza.
A diferença de cinco votos é um dos principais desafios apontados para a estratégia. Por isso, a atuação do partido deverá envolver conversas com senadores de diferentes grupos políticos ao longo dos próximos meses. A composição do Senado e o posicionamento dos parlamentares eleitos ou reeleitos em 2026 poderão ser determinantes para o andamento das iniciativas.
No caso de Flávio Dino, a situação apresenta algumas particularidades. A possibilidade de um pedido contra o ministro também vem sendo discutida dentro do ambiente político ligado ao PL, mas a apresentação de uma medida desse tipo dependeria da avaliação do partido sobre os acontecimentos e decisões que ocorrerem até 2027. Dessa forma, não existe, neste momento, uma decisão que determine o afastamento de qualquer um dos ministros.
A estratégia do PL também está relacionada à discussão sobre um eventual acordo político envolvendo o Supremo. Parte dos integrantes da legenda defende que a oposição mantenha uma postura mais firme e não abandone a possibilidade de recorrer ao mecanismo de impeachment. A avaliação é que abrir mão dessa alternativa poderia reduzir a capacidade de pressão política da bancada sobre o tribunal.
O debate, contudo, ultrapassa os interesses de uma única legenda. Processos de impeachment de ministros do STF são mecanismos previstos na legislação e passam pelo Senado, que exerce a função de julgamento nesses casos. Antes de uma eventual condenação, existe uma série de etapas formais que precisam ser cumpridas, incluindo a análise do pedido e a eventual instauração do processo.
A discussão também ocorre em meio a um histórico recente de tensão entre o Congresso e o Supremo. Decisões judiciais envolvendo políticos, investigações, redes sociais, eleições e outros temas provocaram reações de parlamentares e aumentaram a pressão por mudanças na relação entre os Poderes.
Para o PL, a próxima legislatura poderá representar uma oportunidade de ampliar essa discussão. A expectativa de alcançar 49 votos, caso se confirme, demonstra que o partido pretende iniciar 2027 com uma articulação relevante no Senado. Ainda assim, o número divulgado não representa uma maioria suficiente para aprovar um impeachment e tampouco garante que todos os parlamentares mantenham o mesmo posicionamento durante uma eventual votação.
Por enquanto, portanto, o cenário é de articulação política. O PL sinaliza que pretende continuar defendendo os pedidos de impeachment e rejeita a ideia de encerrar a discussão por meio de um eventual acordo. A definição sobre o futuro dessas iniciativas dependerá da composição do Senado, das negociações entre os partidos e dos acontecimentos políticos e jurídicos que ocorrerem até 2027.
A possível abertura de processos contra Moraes e Dino, portanto, deve ser tratada como uma estratégia política em construção. Não há, neste momento, decisão de afastamento dos ministros. O que existe é a intenção declarada de parte do PL de levar o tema novamente ao Senado e buscar os votos necessários para que os pedidos possam avançar.



