Dianteira de Flávio Bolsonaro aumenta expectativa por ajuste fiscal

A vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 mudou o tom das discussões sobre os próximos passos da economia brasileira. O candidato terminou a primeira etapa da disputa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), resultado que provocou uma reação positiva nos mercados e aumentou as expectativas em torno de uma possível mudança na condução das contas públicas. Segundo dados divulgados após a votação, Flávio recebeu 47,03% dos votos, enquanto Lula ficou com 45,16%. A diferença relativamente pequena mantém a disputa aberta para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
No mercado financeiro, porém, a leitura inicial foi bastante favorável ao candidato do PL. O Ibovespa chegou a superar os 209 mil pontos, enquanto o dólar recuou para abaixo de R$ 5. A reação foi associada principalmente à expectativa de uma política econômica com maior atenção ao equilíbrio das contas públicas.
Uma das principais propostas econômicas apresentadas por Flávio Bolsonaro é realizar um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A ideia aparece acompanhada da promessa de criar uma nova regra para controlar o crescimento das despesas públicas levando em consideração a evolução da dívida.
O plano também prevê uma reforma administrativa, redução de ministérios e revisão de despesas consideradas pelo grupo como pouco eficientes. A campanha fala ainda em buscar superávits primários e diminuir, ao longo do tempo, a relação entre a dívida pública e o tamanho da economia.
O ponto que ainda provoca dúvidas entre economistas é justamente a forma de colocar essas promessas em prática. Até o momento, não foram apresentados detalhes suficientes sobre quanto cada medida poderia representar em economia para os cofres públicos.
Essa falta de informações não impediu que investidores reagissem de maneira positiva ao resultado eleitoral. Para parte do mercado, a composição mais alinhada ao campo conservador no Congresso também pode facilitar a aprovação de propostas econômicas em um eventual governo Flávio. A nova composição do Congresso Nacional será um dos fatores decisivos para qualquer projeto econômico apresentado pelo próximo presidente.
Uma agenda de controle de gastos exige negociação política, especialmente porque boa parte do orçamento federal é formada por despesas que possuem regras próprias. Por isso, não basta anunciar cortes: será necessário construir acordos e conseguir apoio suficiente para aprovar mudanças.
O economista Henrique Meirelles avaliou que os nomes ligados à equipe econômica de Flávio inspiram confiança, embora ainda exista incerteza sobre o tamanho das reformas que poderiam ser realizadas. Outros especialistas também apontam que o resultado eleitoral aumentou a possibilidade de discussão de propostas estruturais. Apesar do otimismo inicial, existe uma preocupação entre analistas: a economia pode acabar dividindo espaço com uma agenda política mais voltada às questões institucionais.
Entre os temas defendidos por aliados de Flávio estão mudanças relacionadas ao funcionamento do Supremo Tribunal Federal e a discussão sobre medidas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa agenda pode ocupar boa parte do espaço político de um eventual novo governo.
O receio de economistas é que uma disputa prolongada entre os Poderes dificulte justamente as negociações necessárias para avançar em medidas fiscais. A preocupação ganha relevância porque um ajuste nas contas públicas dependeria de diálogo constante entre Executivo e Legislativo. Quanto maior o nível de tensão política, maior pode ser a dificuldade para construir consensos.



