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Pesquisas recentes mostram diferenças na distância entre Lula e Flávio Bolsonaro

A poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, as pesquisas de intenção de voto apresentam retratos diferentes da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Embora os dois apareçam concentrando boa parte das preferências, a distância registrada entre eles muda de acordo com o instituto, a metodologia utilizada e o período em que as entrevistas foram realizadas.

Um dos levantamentos mais recentes é o Datafolha, divulgado em 2 de outubro. Na pesquisa estimulada, considerando os votos válidos, Lula aparece com 45%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 40%. Quando são considerados também os votos brancos, nulos e os eleitores indecisos, os percentuais ficam em 42% para Lula e 38% para Flávio.

O Datafolha ouviu 2.506 eleitores presencialmente entre 29 de setembro e 1º de outubro, em 152 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Esses detalhes são importantes porque pequenas diferenças entre levantamentos podem estar relacionadas justamente às características de cada pesquisa.

Outro levantamento divulgado em 3 de outubro, pela CNT/MDA, apresenta uma distância semelhante, mas com números diferentes. No cenário de votos totais, Lula aparece com 43,1%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 38%. Entre os votos válidos, os percentuais são de 47,8% e 42,1%, respectivamente. A pesquisa entrevistou 2.007 pessoas presencialmente entre 30 de setembro e 2 de outubro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Já a pesquisa Palver apresenta um cenário mais próximo entre os dois candidatos. Em levantamento realizado pela internet entre 30 de setembro e 3 de outubro, Flávio aparece numericamente com 47%, enquanto Lula registra 43%. A margem de erro é de 2,4 pontos percentuais, o que coloca os resultados dentro de uma faixa de proximidade estatística. Foram entrevistadas 5.000 pessoas.

A diferença também pode ser observada quando os institutos divulgam cenários de segundo turno. No Datafolha, Lula aparece com 48% e Flávio com 45%, resultado considerado empate técnico diante da margem de erro. Na CNT/MDA, os números são 47,3% para Lula e 43,1% para Flávio.

Em levantamentos anteriores, outras pesquisas também registraram variações. A Quaest, por exemplo, havia apontado Lula com 39% e Flávio com 34% no primeiro turno, enquanto a BTG/Nexus registrou 42% e 37%. Já a AtlasIntel apresentou números mais próximos, com 45,8% para Lula e 43,4% para Flávio em um dos cenários analisados.

Essas diferenças ajudam a explicar por que os números publicados nos últimos dias não são idênticos. Pesquisas eleitorais podem utilizar entrevistas presenciais, questionários pela internet ou outros métodos de coleta. Além disso, os períodos de campo não são necessariamente iguais. Em uma eleição realizada em ritmo acelerado, mudanças na opinião dos entrevistados entre uma coleta e outra também podem aparecer nos resultados.

Um agregador da Inteligov em parceria com a Exame, divulgado em 2 de outubro, calculou 39,93% para Lula e 36,33% para Flávio Bolsonaro. Nesse levantamento, a diferença entre os dois chegou a 3,6 pontos percentuais. Outro ponto que chama atenção é o número de eleitores que ainda podem alterar sua escolha. No Datafolha, 17% dos eleitores declararam que ainda poderiam mudar de voto até a eleição. A pesquisa também identificou diferenças importantes entre grupos regionais, faixas de renda, religião e idade.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, os últimos levantamentos divulgados antes da votação oferecem fotografias diferentes de um mesmo momento eleitoral. Por isso, observar apenas um percentual isolado pode esconder parte importante do cenário. A comparação entre pesquisas exige atenção à data das entrevistas, ao tamanho da amostra, à margem de erro e à forma como cada instituto apresentou os resultados.

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