O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou nesta sexta-feira (2) que o Brasil mantém diálogo com outras democracias e que a cooperação internacional não deve ser confundida com interferência no processo eleitoral. A declaração foi dada em entrevista ao SBT, em meio às discussões recentes sobre uma possível atuação estrangeira nas eleições brasileiras. Segundo o ministro, o país recebe missões internacionais para acompanhar diferentes etapas do pleito.
Nunes Marques afirmou que Brasil e outras nações democráticas historicamente compartilham conhecimentos e experiências para fortalecer suas instituições. Ao comentar o tema, declarou que “nações democráticas dialogam, não interferem”. O presidente do TSE também destacou a presença de sete missões internacionais de observação eleitoral, formadas por representantes de diferentes organizações, entre elas a União Europeia, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Parlamento do Mercosul.
De acordo com o ministro, os observadores terão acesso a informações sobre o funcionamento da Justiça Eleitoral e poderão acompanhar aspectos relacionados à votação, à apuração e à segurança do processo. A presença dessas delegações ocorre em diferentes estados e, segundo Nunes Marques, tem caráter independente. O TSE também programou atividades para apresentar o sistema eleitoral brasileiro a representantes estrangeiros e fornecer informações sobre os procedimentos utilizados durante o pleito.
A manifestação ocorreu após surgirem, nos últimos dias, acusações e debates sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Entre as alegações divulgadas estão declarações de Renan Santos, candidato à Presidência, sobre suposto apoio financeiro estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro. Também foram divulgadas informações sobre parlamentares democratas dos Estados Unidos que questionaram medidas do governo Donald Trump e apontaram possível tentativa de favorecer a candidatura de Flávio. Essas alegações são objeto de disputa política e não foram apresentadas por Nunes Marques como fatos comprovados.
Ao falar sobre os principais desafios para as eleições, o presidente do TSE destacou a circulação de desinformação, o uso irregular de inteligência artificial, a violência política de gênero e possíveis abusos na propaganda eleitoral. O ministro afirmou que a prioridade da Justiça Eleitoral é garantir que os eleitores possam votar com liberdade, segurança e tranquilidade, dentro dos limites estabelecidos pela Constituição. O TSE já estabeleceu regras específicas para conteúdos produzidos ou alterados com inteligência artificial durante a campanha.
Nunes Marques também anunciou uma medida relacionada ao encerramento da votação. Os dois últimos eleitores de cada seção eleitoral serão convidados a permanecer no local para acompanhar o fechamento da seção. Segundo o ministro, a iniciativa permitirá que centenas de milhares de pessoas testemunhem que, depois daqueles eleitores, não houve novos votos registrados naquela seção. A proposta faz parte das medidas apresentadas pelo TSE para ampliar a transparência do processo eleitoral.







