Mãe e filha são encontradas mortas no RS, e polícia investiga possível relação com crime de 2012

Um caso ocorrido em uma área rural de Candelária, no Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, chamou a atenção das autoridades nesta semana. Patrícia Cristina Pereira, de 31 anos, e sua filha Karolayne Cristina Costa, de 13, foram encontradas mortas dentro da residência onde moravam, na localidade de Passa Sete. A Polícia Civil investiga as circunstâncias das mortes e trabalha com diferentes linhas de apuração, incluindo a possibilidade de feminicídio. O delegado responsável pelo caso afirmou que ainda não é possível apontar a motivação nem confirmar a autoria. As duas não eram vistas desde o domingo, 27 de setembro, e os corpos foram localizados na terça-feira, depois que uma mulher que cuidava dos filhos mais novos de Patrícia decidiu ir até a residência após não conseguir contato com ela.
A descoberta ocorreu depois que a cuidadora tentou falar com Patrícia para devolver as crianças que estavam sob seus cuidados. Sem conseguir estabelecer contato, ela foi até o imóvel e encontrou a porta entreaberta. A Brigada Militar foi acionada por volta das 17h e, ao chegar ao local, os policiais encontraram mãe e filha sem vida em um dos quartos. Segundo a investigação, havia sinais de arrombamento na residência. As autoridades trabalham com a hipótese de que as mortes tenham ocorrido entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, aproximadamente dois dias antes da localização dos corpos. A região onde a casa está situada é considerada isolada, sem imóveis próximos, o que dificulta a obtenção de testemunhos sobre a movimentação ocorrida durante o período em que as vítimas permaneceram sem contato.
Um dos pontos que passou a ser analisado pelos investigadores é o histórico familiar de Patrícia. Os pais dela, Sérgio Antônio Pereira e Roseli Rosa, também foram mortos na localidade de Passa Sete, em abril de 2012. Na ocasião, ambos foram atingidos por disparos de arma de fogo. O caso antigo teve uma investigação própria e, segundo informações divulgadas pelas autoridades, um agricultor e o filho foram condenados em 2015 pelas mortes. Agora, mais de uma década depois, a Polícia Civil verifica se existe alguma conexão entre os episódios. O delegado responsável ressaltou, porém, que essa possibilidade ainda está sendo investigada e não há confirmação de que os acontecimentos estejam relacionados. A ligação entre os casos é, neste momento, apenas uma das linhas consideradas pela investigação.
Outro elemento analisado pelas autoridades é uma ocorrência registrada por Patrícia em dezembro do ano passado. Na ocasião, ela procurou a polícia para denunciar uma ameaça. O conteúdo detalhado da ocorrência não foi divulgado, e os investigadores ainda verificam se existe alguma relação entre esse registro e as mortes. A Polícia Civil também busca reconstruir a rotina da vítima, suas relações pessoais e os acontecimentos dos últimos dias antes da localização dos corpos. Até o momento, nenhuma pessoa foi presa, e a autoria permanece sob investigação. O delegado informou que existem suspeitos sendo considerados na apuração, mas ressaltou que ainda é necessário reunir elementos suficientes para esclarecer o que aconteceu. A arma que teria sido utilizada nas mortes também não foi localizada até o momento.
Patrícia era mãe de outros três filhos além de Karolayne: uma menina de 10 anos e dois bebês gêmeos de nove meses. As crianças estavam sob os cuidados de uma babá desde os dias anteriores à descoberta das mortes. Depois da ocorrência, os gêmeos foram encaminhados pelo Conselho Tutelar para os cuidados do pai, de quem Patrícia estava separada havia aproximadamente cinco meses. A menina de 10 anos permaneceu com a cuidadora. A situação das crianças passou a receber atenção das autoridades diante da perda da mãe e da irmã adolescente. O sepultamento de Patrícia e Karolayne ocorreu na tarde de quarta-feira, no Cemitério Municipal do Bairro Marilene, em Candelária. A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que continua reunindo depoimentos e informações sobre a rotina da família.
Com diferentes elementos ainda em análise, a Polícia Civil busca esclarecer não apenas quem esteve envolvido nas mortes, mas também qual teria sido a motivação e se os acontecimentos possuem alguma relação com episódios anteriores envolvendo a família. O caso permanece aberto e novas informações poderão modificar as hipóteses consideradas pelos investigadores. Por enquanto, as autoridades evitam antecipar conclusões e ressaltam que a apuração depende da análise das provas reunidas, dos depoimentos e de outros elementos obtidos durante o trabalho policial. A possibilidade de ligação com o assassinato dos pais de Patrícia, ocorrido em 2012, é investigada, mas não foi confirmada. Da mesma forma, a ocorrência de ameaça registrada no ano passado ainda está sendo analisada. A expectativa é que o avanço das investigações ajude a esclarecer as circunstâncias das mortes e os acontecimentos que antecederam a descoberta dos corpos.



