Michelle responde a Janja em ato: “Bolsonara de Ceilândia com orgulho”

A candidata ao Senado pelo PL, Michelle Bolsonaro, respondeu nesta quarta-feira (30) à declaração feita pela primeira-dama Janja Lula da Silva, que a havia mencionado em evento de campanha no Distrito Federal. Durante carreata ao lado da candidata à reeleição ao governo Celina Leão (PP), Michelle assumiu com orgulho a referência feita à sua ligação com Ceilândia. “Sou a Bolsonara de Ceilândia mesmo, com muito orgulho. Enquanto alguns tentam diminuir isso, é algo muito grande para o meu coração”, afirmou a ex-primeira-dama, que nasceu na região e a ela atribui parte de sua identidade pessoal e política.
A resposta ocorre cerca de duas semanas após a fala da primeira-dama, em ato realizado no dia 16 de setembro, na Praça do Trabalhador, também em Ceilândia. Na ocasião, Janja pediu aos eleitores que não apoiassem candidatos ligados ao sobrenome Bolsonaro ou ao que classificou como ideias do bolsonarismo. “Não é só sobre não colocar o filho do Bolsonaro na Presidência. É sobre combater o bolsonarismo como um todo. É sobre não votar ninguém que leve o seu sobrenome, nem suas ideias conservadoras. Inclusive tem uma Bolsonara aqui de Ceilândia que vocês conhecem bem”, disse Janja, sem citar nominalmente Michelle, mas tornando clara a quem se dirigia. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do candidato petista ao governo do DF, Leandro Grass.
Na carreata desta quarta-feira, percorrendo o centro de Ceilândia, Michelle recebeu o apoio público de Celina Leão, que reforçou a mensagem de vínculo com a comunidade. “A Michelle tem o maior orgulho de ser a Bolsonara de Ceilândia. E a gente tem muito orgulho de ter ela representando essa cidade e esse povo”, declarou a candidata à reeleição. A atividade reuniu também a deputada federal Bia Kicis (PL) e integrou a agenda diária de Celina na região, que começou com almoço na Feira de Ceilândia, espaço tradicional de encontro e cultura local.
A disputa eleitoral no Distrito Federal ganha contornos que cruzam identidade, raízes e representação. Para Michelle, a ligação com Ceilândia não é apenas um dado biográfico, mas ponto de conexão com milhões de moradores que constroem a cidade com esforço diário. Ao invés de recuar diante da menção feita em outro evento, ela transformou a referência em afirmação de pertencimento. A postura busca reforçar proximidade com o eleitorado que conhece sua história desde o início, antes mesmo da experiência no Palácio do Planalto.
Celina Leão aproveitou a ocasião para apresentar também avanços em obras e projetos voltados ao centro de Ceilândia. Entre as melhorias em andamento estão a instalação de novos equipamentos, arborização de vias, construção de parquinhos e implantação de ciclovias. A candidata destacou que as intervenções visam tornar o espaço mais acolhedor, seguro e adequado às necessidades de quem vive e trabalha na região. Ela adiantou ainda que pretende percorrer a nova ciclovia no sábado, quando a legislação eleitoral suspende atos de campanha.
A troca de mensagens entre as duas frentes de campanha reflete a divisão que marca a disputa no Distrito Federal. De um lado, busca-se associar nomes e ideias a um projeto considerado ultrapassado; de outro, reafirma-se o direito de cada candidato apresentar sua própria trajetória e vínculo com o território. O eleitor de Ceilândia, uma das regiões mais populosas e dinâmicas da capital, aparece como centro dessa disputa, com candidatos buscando demonstrar quem efetivamente compreende e defende os interesses locais.
À medida que a campanha avança, as referências a origens e laços com a população ganham força. Cada menção, cada resposta e cada gesto público são avaliados pelos eleitores, que buscam identificar em quem confiarão a representação de suas necessidades e sonhos. O que se vê em Ceilândia é parte de um debate maior: sobre quem pertence a esses espaços, quem os representa e quais caminhos levarão ao desenvolvimento com justiça. A resposta de Michelle Bolsonaro, simples e direta, é também uma forma de dizer: a história não se apaga, e o orgulho de onde se vem é o primeiro passo para construir o que vem pela frente.



