Pastor acusa Flávio Bolsonaro de receber dinheiro das bets

A discussão sobre as apostas online ganhou um novo capítulo no cenário político brasileiro. O deputado federal e pastor Otoni de Paula voltou a criticar o senador Flávio Bolsonaro durante um vídeo publicado nas redes sociais. Na gravação, ele fez acusações relacionadas ao mercado de bets e questionou a posição do senador sobre a regulamentação das apostas.
Otoni afirmou que Flávio Bolsonaro teria interesse financeiro no setor e chegou a dizer que o parlamentar receberia dinheiro das empresas de apostas. Até o momento, porém, a acusação apresentada pelo pastor não veio acompanhada, no vídeo, de documentos ou valores que comprovem um eventual pagamento.
Além da questão financeira, Otoni também criticou a forma como Flávio se apresenta politicamente como evangélico. Em determinado momento, utilizou a expressão “crente pirata” para se referir ao senador. A fala rapidamente ganhou espaço nas redes sociais e colocou novamente o tema das apostas no centro do debate eleitoral de 2026.
Durante a gravação, o deputado contou que teria acompanhado discussões sobre a regulamentação das apostas durante o governo de Jair Bolsonaro. Segundo seu relato, havia resistência dentro do governo diante da possibilidade de uma reação negativa de setores evangélicos.
Otoni também citou o então ministro da Economia, Paulo Guedes, e afirmou que ele e Flávio Bolsonaro pressionavam Jair Bolsonaro para avançar com a regulamentação das bets. “Eu estava no Palácio do Planalto”, afirmou o pastor ao relembrar a situação. De acordo com sua versão, o então presidente teria demonstrado preocupação com a reação das igrejas. É importante separar, nesse ponto, o relato feito pelo deputado de informações comprovadas por documentos públicos. As declarações de Otoni representam a versão apresentada por ele durante o vídeo.
As declarações ocorreram depois de Flávio Bolsonaro se manifestar sobre o futuro das apostas online no Brasil. Em setembro, o senador afirmou ser favorável ao fim dos cassinos online, incluindo plataformas associadas ao chamado “jogo do tigrinho”. Ao mesmo tempo, Flávio apresentou uma posição diferente em relação às apostas esportivas. Ele defendeu que esse segmento poderia continuar funcionando dentro de regras específicas.
Essa distinção passou a ser um dos pontos centrais do debate. Para Flávio, cassinos online e apostas esportivas não precisam necessariamente receber o mesmo tratamento. Já seus críticos entendem que os dois segmentos deveriam ser analisados de maneira mais ampla.
Foi justamente essa diferença que Otoni utilizou para fazer novas cobranças ao senador. O confronto não ficou restrito à política econômica ou às regras para as bets. Otoni questionou publicamente a identidade religiosa de Flávio Bolsonaro. O pastor perguntou qual igreja o senador frequentaria e fez referências a práticas comuns entre evangélicos, como participação nos cultos e contribuição financeira à igreja.
Na sequência, utilizou a expressão “crente pirata”, transformando a crítica política também em uma discussão sobre coerência religiosa. A declaração repercutiu porque Flávio Bolsonaro costuma dialogar com o eleitorado evangélico. A relação entre política e religião, aliás, continua sendo um dos temas presentes na campanha eleitoral de 2026.
Apesar das afirmações feitas por Otoni de Paula, não foram apresentados no vídeo documentos que comprovem que Flávio Bolsonaro tenha recebido dinheiro de empresas de apostas. Essa diferença é importante para entender o episódio. Uma acusação feita publicamente por um adversário político não equivale, por si só, à comprovação de uma irregularidade.



