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Eleição pode ser definida no primeiro turno? Mauricio Moura analisa cenário para 2026

A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, o cenário político brasileiro continua marcado por disputas acirradas e diferentes possibilidades para a reta final da campanha. Durante o TAG Summit 2026, realizado na terça-feira (29), Mauricio Moura, sócio do Zaftra Fund e fundador do Instituto Ideia, apresentou uma análise sobre os caminhos que a eleição pode tomar.

Segundo Moura, o cenário considerado mais provável ainda envolve a realização de um segundo turno. No entanto, ele destacou que uma definição já na primeira etapa da votação não pode ser descartada. A possibilidade estaria relacionada principalmente ao nível de abstenções, votos brancos e votos nulos.

O especialista chamou esse conjunto de situações de “não-voto”. Na avaliação apresentada durante o evento, caso esse percentual fique entre 31% e 32%, haveria uma possibilidade elevada de a disputa ser decidida já no primeiro turno. A análise foi divulgada pelo Money Times após o encontro realizado em São Paulo.

Entre os nomes considerados no cenário apresentado por Moura está Flávio Bolsonaro (PL). O senador é apontado na análise como um dos candidatos com possibilidade de avançar na disputa, especialmente diante de uma eventual concentração dos votos de oposição.

Um dos fatores citados é o chamado “antipetismo de chegada”, movimento que, segundo Moura, pode ocorrer quando eleitores de candidatos ideologicamente próximos optam, na reta final, pelo nome considerado mais competitivo contra o candidato do PT. De acordo com o analista, esse comportamento poderia ganhar importância em 2026. A dinâmica dependeria, entre outros fatores, da movimentação dos eleitores durante os últimos dias antes da votação.

Ao mesmo tempo, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também teria elementos capazes de influenciar o resultado. Moura citou a necessidade de ampliar a aprovação do governo e fortalecer o desempenho entre os eleitores que já demonstram apoio à atual administração. O que aconteceria em uma eventual vitória de Flávio?

Outro ponto abordado durante o TAG Summit foi o cenário posterior à eleição. Mauricio Moura afirmou que, caso Flávio Bolsonaro chegasse à Presidência, sua avaliação seria de que o novo governo poderia enfrentar dificuldades para manter popularidade elevada logo no início do mandato. Essa é uma projeção apresentada pelo próprio especialista e não representa um resultado eleitoral ou uma certeza sobre o futuro governo.

Moura também relacionou esse possível cenário à composição política do Congresso Nacional. Na visão apresentada por ele, um presidente com menor apoio popular poderia depender mais intensamente das negociações com parlamentares e das forças políticas que formassem sua base.

A relação entre Executivo e Legislativo costuma ter papel importante na aprovação de projetos, principalmente em um sistema político no qual o presidente precisa construir maioria para avançar determinadas propostas. A análise não ficou restrita ao resultado das urnas. O comportamento dos mercados financeiros também apareceu entre os assuntos discutidos no evento.

Mauricio Moura afirmou que existe uma diferença entre a maneira como o mercado interpreta determinados resultados eleitorais e a percepção da população sobre os efeitos econômicos de cada cenário. Outros gestores presentes no TAG Summit também mencionaram a preocupação com a situação fiscal brasileira e a falta de propostas econômicas mais detalhadas para os próximos anos.

Com a proximidade do primeiro turno, questões como inflação, juros, contas públicas e crescimento econômico tendem a ganhar espaço nas discussões eleitorais. Ainda assim, o comportamento do eleitor pode ser influenciado por uma série de fatores, e as avaliações feitas antes da votação não determinam necessariamente o resultado das urnas.

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