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Senador aciona o TSE após gesto político de Ivete Sangalo durante apresentação

Um gesto feito por Ivete Sangalo durante um show em Belo Horizonte passou a integrar uma discussão eleitoral às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. A cantora realizou um sinal de “L” com a mão durante sua apresentação no Mineirinho, em 19 de setembro, depois de parte do público gritar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio foi registrado em vídeos e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.

A manifestação chamou a atenção do senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, que decidiu levar o caso à Justiça Eleitoral. Segundo a manifestação atribuída ao parlamentar, o pedido busca preservar os registros do episódio e verificar se houve alguma relação entre o gesto realizado pela cantora e eventual propaganda eleitoral. Viana classificou a situação como possível “showmício” e questionou publicamente a utilização de uma apresentação musical para manifestações relacionadas à disputa eleitoral.

Em uma publicação nas redes sociais, Carlos Viana afirmou que o público presente no evento teria gritado em apoio a Lula e que Ivete respondeu fazendo o “L”. O senador também comparou a situação com um cenário hipotético envolvendo um artista que manifestasse apoio a outro grupo político. Na avaliação apresentada por ele, a legislação eleitoral deveria ser aplicada de maneira uniforme independentemente da orientação política envolvida. As declarações fazem parte da argumentação apresentada pelo parlamentar e não representam uma conclusão da Justiça Eleitoral.

O caso envolve uma questão importante prevista nas regras das eleições. A legislação brasileira proíbe a realização de showmícios e eventos semelhantes destinados à promoção de candidatos. A Lei das Eleições também impede a apresentação de artistas, remunerada ou não, quando a finalidade é animar comícios ou reuniões eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém essa regra em sua legislação e em suas orientações para as eleições de 2026.

Ao mesmo tempo, a própria regulamentação eleitoral diferencia um evento de campanha de uma apresentação artística realizada dentro da atividade profissional do cantor ou da cantora. A Resolução nº 23.610 do TSE estabelece que artistas podem exercer normalmente suas atividades durante o período eleitoral, com exceções relacionadas à participação em programas de rádio e televisão, à animação de comícios ou à divulgação de candidatura ou campanha. A análise jurídica, portanto, depende das circunstâncias específicas de cada evento.

No caso de Ivete, o show fazia parte da turnê “Ivete Clareou”, projeto dedicado ao samba e realizado no Mineirinho, em Belo Horizonte. A apresentação estava programada para 19 de setembro e fazia parte da agenda regular da artista. Informações oficiais sobre o evento indicam que se tratava de um espetáculo musical, e não de um ato de campanha eleitoral.

O gesto ocorreu enquanto Ivete interpretava “Zé do Caroço”, composição conhecida de Leci Brandão. Segundo registros publicados por veículos que acompanharam o episódio, parte da plateia começou a gritar o nome de Lula e a cantora respondeu formando a letra “L” com as mãos. O momento foi filmado por pessoas presentes e acabou circulando amplamente na internet.

A manifestação também não surgiu completamente isolada. Ivete já havia feito gesto semelhante durante um show em Salvador, em 2022, quando o público cantava em apoio a Lula. Naquele episódio, a artista também reagiu à manifestação da plateia. Em 2026, o novo gesto voltou a colocar a cantora no centro das discussões sobre manifestações políticas feitas por artistas durante apresentações musicais.

A iniciativa de Carlos Viana acrescenta agora uma dimensão jurídica ao episódio. O senador informou que acionou a Justiça Eleitoral e pediu providências relacionadas à preservação dos vídeos e à apuração dos fatos. Também defendeu a aplicação de multa caso a conduta seja considerada irregular e volte a ocorrer. Até o momento, entretanto, é importante diferenciar o pedido apresentado pelo parlamentar de uma eventual decisão judicial sobre a existência ou não de irregularidade.

A legislação eleitoral prevê consequências para propaganda considerada irregular, mas a caracterização de um show como “showmício” depende do contexto e da finalidade do evento. O próprio TSE já destacou que a proibição busca impedir que a força de atração de artistas seja utilizada para promover candidatos em eventos tipicamente eleitorais. Por outro lado, apresentações artísticas regulares não são automaticamente transformadas em atos de campanha apenas pela existência de manifestações políticas durante o evento.

Com as eleições de 2026 se aproximando, o episódio envolvendo Ivete Sangalo passa a ser acompanhado também sob a perspectiva da legislação eleitoral. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e a Justiça Eleitoral mantém regras específicas para propaganda, manifestações públicas e participação de artistas durante o período de campanha. A eventual análise do caso deverá considerar as circunstâncias concretas da apresentação, o contexto da manifestação e se houve ou não finalidade de promoção eleitoral.

Por enquanto, o que está confirmado é que Ivete fez o gesto de “L” após manifestações da plateia durante seu show em Belo Horizonte e que Carlos Viana levou o episódio à Justiça Eleitoral para pedir apuração. A repercussão transforma um momento de poucos segundos no palco em mais um capítulo da discussão sobre os limites entre liberdade de manifestação política e propaganda eleitoral durante o período de eleições. A decisão sobre eventual irregularidade caberá às autoridades eleitorais responsáveis pela análise do caso.
 

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