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EUA preparam militares com curso de português e notícia gera questionamentos

Uma notícia envolvendo militares dos Estados Unidos e o ensino de português brasileiro chamou atenção nas redes sociais e levantou questionamentos sobre os próximos passos da relação entre Washington e Brasília. O assunto ganhou ainda mais repercussão por surgir durante um período de tensão diplomática entre os dois países e próximo das eleições brasileiras de 2026. Mas é importante separar o que foi confirmado oficialmente das interpretações que começaram a circular.

O Air Force Culture and Language Center (AFCLC), órgão ligado à Força Aérea dos Estados Unidos, confirmou que militares norte-americanos recebem treinamento em português brasileiro. A preparação faz parte do Language Enabled Airman Program, conhecido como LEAP, iniciativa voltada ao desenvolvimento de idiomas, conhecimento regional e habilidades culturais entre integrantes das Forças Armadas americanas.

Segundo informações divulgadas pelo próprio centro ao Metrópoles, o objetivo é preparar militares para possíveis atividades de cooperação com integrantes das Forças Armadas brasileiras. Entre as situações citadas estão exercícios conjuntos e conferências. A repercussão aumentou depois que uma empresa norte-americana especializada em serviços de idiomas abriu uma vaga para professor de português brasileiro.

De acordo com a descrição da oportunidade, o treinamento terá duração de três semanas, entre outubro e novembro de 2026. Uma parte será realizada pela internet, enquanto outras duas semanas acontecerão presencialmente em Montgomery, no Alabama.

O profissional procurado deverá ter domínio do português e do inglês, além de experiência com tradução, interpretação e ensino do idioma para militares ou funcionários do governo. A preparação também envolve vocabulário técnico e aspectos culturais. A ideia é facilitar a comunicação em situações nas quais militares americanos possam trabalhar ou interagir com brasileiros.

O treinamento, portanto, não é uma novidade completamente isolada. O programa LEAP trabalha com mais de uma centena de idiomas considerados estratégicos para os Estados Unidos. O assunto ganhou espaço justamente em uma fase de maior tensão entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Em setembro, Lula participou da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Durante seu discurso, o presidente brasileiro voltou a defender a soberania dos países e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

Também houve discussões envolvendo possíveis influências externas nas eleições brasileiras. Segundo a Agência Brasil, um relatório da Agência Brasileira de Inteligência apontou riscos relacionados à influência ou interferência estrangeira no processo eleitoral de 2026.

Esse contexto contribuiu para que qualquer movimentação relacionada às Forças Armadas dos Estados Unidos recebesse atenção maior. E existe relação com uma possível captura de Lula? É justamente neste ponto que é necessário ter cautela.

A existência do curso de português brasileiro foi confirmada. Porém, não há informação pública apresentada pelo AFCLC de que o treinamento esteja relacionado a uma operação específica no Brasil ou a uma missão envolvendo o presidente Lula. A própria explicação divulgada pelo centro americano aponta para possibilidades de cooperação, exercícios e conferências com militares brasileiros.

Além disso, informações falsas sobre supostas tropas americanas enviadas ao Brasil para capturar Lula e o ministro Alexandre de Moraes já foram verificadas anteriormente. O UOL Confere classificou como falsa uma publicação que afirmava que militares dos Estados Unidos já estariam no país com essa finalidade.

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