Em meio à campanha, Flávio Bolsonaro volta a mirar Lula durante evento em Sergipe

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma agenda de campanha realizada neste domingo (27), em Aracaju, Sergipe. Em meio a uma moto-carreata pelas ruas da capital sergipana, o senador voltou a utilizar a expressão “pai do Tigrinho” ao se referir ao atual presidente. Flávio afirmou que Lula teria sido responsável pela liberação dos chamados cassinos on-line e das apostas virtuais e também declarou que o presidente teria recorrido à Justiça para tentar retirar do ar um vídeo no qual o candidato faz essa associação. A fala ocorreu dois dias depois de o governo anunciar novas medidas relacionadas ao funcionamento das apostas on-line no país.
O evento reuniu apoiadores e políticos que fazem parte do grupo que declarou apoio à candidatura de Flávio em Sergipe. Entre os participantes estavam o deputado federal Rodrigo Valadares (PL), candidato ao Senado, e Ricardo Marques (PL), vice-prefeito de Aracaju e candidato ao governo estadual. Alfredo Gaspar, escolhido para ocupar a posição de vice na chapa presidencial de Flávio, também participou da agenda. Durante o percurso, o candidato aproveitou a mobilização para apresentar pontos de seu programa de governo e reforçar mensagens voltadas principalmente à economia, segurança pública e geração de oportunidades. A atividade fez parte da programação de campanha na reta final antes do primeiro turno.
Entre as propostas mencionadas por Flávio durante o ato esteve a redução de impostos e da carga tributária incidente sobre a folha de pagamentos. O candidato também defendeu mudanças na legislação penal, incluindo a redução da maioridade penal, além de apresentar a chamada castração química como uma das medidas que pretende discutir para condenados por crimes sexuais. Outro ponto citado foi a criação de programas voltados ao empreendedorismo. As propostas fazem parte das pautas apresentadas por Flávio durante a campanha e foram mencionadas diante de apoiadores que acompanharam a moto-carreata em Aracaju.
O histórico das apostas on-line, porém, envolve decisões tomadas em diferentes governos. A legislação que autorizou as apostas de quota fixa no Brasil foi aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer (MDB). Apesar da autorização legal, o setor passou o governo de Jair Bolsonaro (PL) sem uma regulamentação completa que estabelecesse todas as regras para funcionamento, fiscalização e tributação das empresas. Com a chegada de Lula à Presidência, em 2023, o governo federal colocou a regulamentação das apostas entre suas prioridades. O então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a criação de regras para organizar o setor e estabelecer mecanismos de arrecadação e fiscalização.
A regulamentação foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em dezembro de 2023. A legislação estabeleceu requisitos para a exploração das apostas de quota fixa, regras de tributação, critérios para distribuição das receitas e sanções aplicáveis em caso de descumprimento das normas. Desde então, o funcionamento do setor passou a ser submetido a regras específicas estabelecidas pelo poder público. Na campanha presidencial, entretanto, o tema passou a ser utilizado pelos candidatos em diferentes discursos, com interpretações distintas sobre a responsabilidade de cada governo pela trajetória das apostas no país.
A agenda de Flávio em Aracaju terminou com a previsão de uma nova atividade de campanha em Goiânia. O candidato programou uma segunda moto-carreata para a tarde deste domingo, com concentração no Estádio Serra Dourada e encerramento previsto no Parque Flamboyant, onde deveria realizar um comício. A sequência de compromissos ocorre nos últimos dias antes da votação e faz parte da estratégia de ampliar a presença do candidato em diferentes estados. Ao voltar a associar Lula ao tema das apostas, Flávio mantém um dos assuntos presentes em seus discursos recentes, enquanto o governo federal e aliados defendem as medidas adotadas para regulamentar ou restringir o setor. O debate sobre as apostas segue, assim, inserido na disputa eleitoral e nas discussões sobre tributação, fiscalização e políticas públicas.



