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Flávio Bolsonaro aposta no voto útil enquanto cenário de 2º turno ganha atenção

A reta final da eleição presidencial de 2026 colocou o chamado voto útil no centro das estratégias de campanha. Com a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro ocupando grande parte das pesquisas, o senador do PL passou a defender a concentração de votos como forma de fortalecer sua candidatura ainda no primeiro turno.

O movimento acontece em um momento de grande proximidade entre os principais nomes da corrida. No levantamento Datafolha divulgado em 24 de setembro, Lula apareceu com 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 36%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

O discurso pelo voto útil busca alcançar principalmente eleitores que demonstram preferência por candidatos que aparecem com percentuais menores nas pesquisas. A ideia apresentada pela campanha de Flávio é que parte desse eleitorado considere antecipar a escolha que faria em uma eventual segunda etapa da eleição.

Esse tipo de estratégia não é novidade em disputas presidenciais. Conforme explicou Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, a movimentação entre candidatos que estão atrás pode alterar quem chega ao segundo turno, embora não modifique necessariamente a soma dos votos dos adversários do primeiro colocado.

Na prática, o eleitor que inicialmente pretende votar em uma candidatura com menor percentual pode decidir migrar para um nome que considera mais competitivo. Esse processo pode ganhar intensidade conforme a data da votação se aproxima. Os números divulgados pelos institutos nas últimas semanas ajudam a explicar por que o voto útil ganhou espaço no debate eleitoral.

Na pesquisa Quaest divulgada em 21 de setembro, Lula tinha 37% das intenções no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia com 33%. Em uma simulação de segundo turno, porém, os dois registraram números dentro da margem de erro: 41% para Lula e 42% para Flávio. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 17 e 20 de setembro.

Já a pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada no mesmo período, apontou Lula com 40% e Flávio com 37% no primeiro turno. No cenário de segundo turno entre os dois, os números também ficaram próximos: 46% para Flávio e 45% para Lula. Foram entrevistadas 2.006 pessoas entre 18 e 20 de setembro. A diferença entre os levantamentos mostra como pequenas oscilações podem ganhar importância na reta final da campanha.

Para Flávio Bolsonaro, uma das questões centrais é consolidar-se como o principal nome de oposição ao atual presidente. O crescimento de sua candidatura pode depender, entre outros fatores, da capacidade de atrair eleitores que hoje aparecem distribuídos entre diferentes opções.

O Datafolha de 24 de setembro registrou Augusto Cury com 5%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema e Samara com 1% cada. O levantamento também apontou 2% de eleitores indecisos. São justamente esses grupos que passam a receber maior atenção quando as campanhas defendem a concentração de votos.

Outro elemento importante é a antecipação do segundo turno. Quando uma disputa apresenta dois nomes próximos nas pesquisas, parte dos eleitores pode começar a considerar não apenas sua primeira preferência, mas também quais candidaturas têm possibilidade de avançar.

O Datafolha mostrou que, em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o cenário registrado foi de 47% para Lula e 45% para Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Esse quadro ajuda a entender por que as campanhas passaram a falar cada vez mais sobre concentração de votos e sobre a possibilidade de uma disputa direta entre os dois.

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