Fala de bispo da igreja frequentada por Flávio Bolsonaro provoca repercussão

O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, igreja frequentada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltou a chamar atenção por declarações relacionadas à devoção católica a Maria. Um texto atribuído ao religioso e associado ao livro “A Bomba: A verdade pode ser explosiva”, publicado em 2001 pela editora Doxxa, apresenta críticas ao chamado culto à “Rainha dos Céus”, expressão utilizada por parte da tradição católica para se referir à Virgem Maria. O conteúdo ganhou repercussão em meio ao debate sobre as declarações religiosas feitas recentemente por Flávio.
Segundo trecho reproduzido pelo blog do pastor Sérgio Lourenço, JB Carvalho afirma que “Deus odeia o culto a Rainha dos Céus”. A declaração aparece no contexto de uma crítica à devoção mariana e à forma como a figura de Maria é compreendida dentro do catolicismo. A passagem voltou a circular nas redes sociais em um momento de maior atenção sobre as relações entre religião e política, especialmente após manifestações públicas de Flávio Bolsonaro sobre sua visão religiosa para o país.
Em agosto de 2026, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais no qual afirmou que, caso chegasse à Presidência da República, um de seus primeiros atos seria declarar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala provocou reações entre católicos nas redes sociais, principalmente por ocorrer em um período de campanha eleitoral e por abordar diretamente questões religiosas. A manifestação também foi relacionada ao debate sobre a presença de diferentes tradições cristãs no discurso político brasileiro.
A repercussão ganhou novos contornos após manifestações de representantes da Igreja Católica. Homilias e declarações de religiosos ligados à Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida passaram a repercutir nas redes sociais em meio às discussões provocadas pela fala do candidato. O episódio colocou novamente em evidência as diferenças entre as tradições católica e evangélica na interpretação sobre Maria e sobre o papel que a religião deve ocupar no discurso de autoridades e candidatos.
Apesar de frequentar a igreja fundada por JB Carvalho, Flávio Bolsonaro possui trajetória política própria e suas declarações devem ser diferenciadas das posições expressas pelo bispo em seus escritos. O fato de o candidato ter sido batizado na Comunidade das Nações e manter relação com a instituição é mencionado na reportagem como parte do contexto da discussão. Não há, no conteúdo apresentado, uma declaração de Flávio afirmando que compartilhe especificamente da frase atribuída a JB Carvalho sobre a devoção à “Rainha dos Céus”.
O episódio ocorre em meio à campanha eleitoral de 2026, período em que manifestações relacionadas à religião vêm ocupando espaço no debate público. A Constituição brasileira estabelece a liberdade religiosa e o caráter laico do Estado, enquanto candidatos de diferentes correntes podem apresentar suas convicções pessoais durante a disputa eleitoral. No caso de Flávio Bolsonaro, sua declaração sobre o Brasil e Jesus Cristo passou a integrar o debate político e religioso, enquanto o antigo texto atribuído a JB Carvalho voltou a ser lembrado por causa da ligação do candidato com a igreja fundada pelo bispo.



