Datafolha divulga nova pesquisa e mostra disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro

A corrida pela Presidência da República ganhou novos números nesta quinta-feira, 24 de setembro, com a divulgação de uma pesquisa Datafolha que mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro (PL) com 36%. A diferença nominal é de quatro pontos percentuais, enquanto os demais candidatos aparecem em patamares inferiores. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo e chega em um momento decisivo da campanha eleitoral de 2026, quando os candidatos intensificam agendas, entrevistas e estratégias para conquistar principalmente os eleitores que ainda admitem mudar de escolha. Embora os números apresentem Lula numericamente à frente na primeira rodada, pesquisas eleitorais representam uma fotografia das preferências declaradas pelos entrevistados no período em que o levantamento foi realizado e devem ser interpretadas considerando metodologia, margem de erro e nível de confiança.
A comparação com levantamentos anteriores ajuda a compreender o movimento recente. Em pesquisa Datafolha realizada entre 15 e 17 de setembro, Lula aparecia com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 36%. Naquele levantamento, a distância de três pontos era a menor observada pelo instituto desde abril e estava dentro do intervalo determinado pela margem de erro de dois pontos percentuais. Poucas semanas antes, no início de setembro, o cenário mostrava uma diferença maior: Lula registrava 38%, contra 33% de Flávio. Em julho, eram 40% para o presidente e 32% para o senador. Os números mostram que as intenções declaradas de voto passaram por mudanças durante a campanha, mas essas variações precisam ser analisadas com cautela, sobretudo quando são pequenas e podem estar dentro das respectivas margens de erro. A sequência histórica também demonstra por que uma única rodada de pesquisa não deve ser interpretada isoladamente como previsão do resultado das urnas.
Um dos aspectos que mais chama atenção na disputa é o cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na pesquisa divulgada nesta quinta-feira, Lula registra 47%, enquanto Flávio aparece com 45%, segundo os números publicados pela Folha. Como a margem de erro informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os percentuais caracterizam empate técnico. Esse equilíbrio também vinha aparecendo nas rodadas anteriores. No levantamento realizado entre 15 e 17 de setembro, por exemplo, Lula tinha 46% e Flávio 44%, igualmente dentro da margem de erro. Outros institutos apresentaram percentuais diferentes ao longo de setembro, resultado esperado porque cada pesquisa possui amostra, período de coleta e metodologia próprios. Levantamentos reunidos pelo UOL mostraram, por exemplo, resultados variados de Datafolha, Atlas/Bloomberg, Futura/100% Cidades, Quaest e BTG/Nexus. Comparações entre institutos, portanto, precisam considerar essas diferenças metodológicas em vez de tratar pequenas variações numéricas como mudanças necessariamente ocorridas no eleitorado.
Os recortes do eleitorado apresentados pelo Datafolha também ajudam a explicar a composição dessa disputa. Na rodada realizada entre 15 e 17 de setembro, Lula apresentava percentuais superiores entre entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, pessoas com escolaridade fundamental, moradores do Nordeste e eleitores que vivem em residências beneficiadas pelo Bolsa Família. Flávio Bolsonaro, por sua vez, registrava percentuais superiores entre entrevistados das faixas de renda acima de dois salários mínimos, no Sul e entre evangélicos. O levantamento também mostrou elevado grau de decisão entre os eleitores dos dois principais candidatos: naquela rodada, 84% daqueles que declaravam voto em Lula diziam estar convictos da escolha, enquanto o índice era de 82% entre os eleitores de Flávio. Entre pessoas que não se identificavam nem com o petismo nem com o bolsonarismo, porém, havia uma proporção maior de entrevistados admitindo que ainda poderiam mudar de voto, grupo que tende a receber atenção das diferentes campanhas nesta etapa eleitoral.
Outro indicador relevante para entender o cenário é a avaliação do governo federal, embora aprovação administrativa e intenção de voto sejam perguntas diferentes e não devam ser tratadas como equivalentes. Na pesquisa anterior do Datafolha, 34% avaliavam o governo Lula como ótimo ou bom, 42% como ruim ou péssimo e 23% como regular, enquanto 1% não apresentou opinião. Quando os entrevistados foram questionados especificamente sobre aprovação do trabalho do presidente, 48% aprovavam e 50% desaprovavam, com 3% sem opinião. A rejeição eleitoral também aparece como elemento importante: em pesquisa divulgada em 11 de setembro, Lula e Flávio Bolsonaro registravam o mesmo percentual de rejeição, com 46% dos entrevistados afirmando que não votariam em cada um deles em nenhuma hipótese. Esses indicadores ajudam a contextualizar uma eleição marcada por dois candidatos com eleitorados expressivos e, simultaneamente, níveis relevantes de resistência entre segmentos da população.
Com a aproximação da votação, o conjunto das pesquisas indica uma disputa competitiva, especialmente nas simulações envolvendo diretamente Lula e Flávio Bolsonaro. O resultado divulgado pelo Datafolha nesta quinta-feira acrescenta uma nova fotografia do eleitorado: 40% para Lula e 36% para Flávio no primeiro turno, além de 47% a 45% na simulação de segundo turno. Esses percentuais não determinam antecipadamente o resultado eleitoral, e diferenças dentro da margem de erro não permitem afirmar vantagem estatisticamente comprovada em cenários de empate técnico. Até a votação, acontecimentos da campanha, debates, decisões individuais dos eleitores e o comparecimento às urnas ainda podem alterar o quadro observado pelas pesquisas. Por isso, mais importante do que transformar oscilações de poucos pontos em conclusões definitivas é acompanhar a sequência dos levantamentos, observar suas metodologias e verificar se movimentos semelhantes persistem ao longo do tempo. A decisão efetiva sobre quem ocupará a Presidência será tomada pelos eleitores nas urnas.



