Na reta final do 1º turno, Flávio Dino recebe novo pedido do PT no STF

O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026. A solicitação foi apresentada ao ministro Flávio Dino, que já é relator do processo no qual o pedido foi protocolado. A legenda afirma que é necessário esclarecer se recursos, estruturas, serviços ou operações originadas no exterior poderiam estar sendo utilizados para influenciar a disputa presidencial brasileira. O pedido ocorre na reta final do primeiro turno e envolve suspeitas levantadas pelo partido sobre eventual apoio estrangeiro à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). As alegações, porém, ainda dependem de investigação e não representam uma conclusão das autoridades sobre a existência de irregularidades.
Na manifestação apresentada ao Supremo, o PT solicita que uma eventual investigação considere diferentes formas de atuação estrangeira, incluindo publicidade, plataformas digitais, recursos financeiros, bens e serviços. Segundo a legenda, esses mecanismos poderiam ser utilizados de maneira direta ou indireta para alcançar o processo eleitoral brasileiro. O partido também pede que sejam identificadas a origem de eventuais recursos, as pessoas ou organizações envolvidas e os possíveis beneficiários. A iniciativa foi apresentada no âmbito de uma ação que já estava sob relatoria de Dino e busca ampliar a apuração para episódios que, na avaliação do PT, precisam ser esclarecidos antes do avanço do processo eleitoral.
Entre os pontos citados pelo partido está a atuação atribuída à Rockbridge Network, organização norte-americana que aparece na petição como uma possível estrutura relacionada ao financiamento de campanhas conservadoras. O PT também menciona declarações e informações que levantaram suspeitas sobre eventual apoio financeiro ou operacional à candidatura de Flávio Bolsonaro. Reportagens recentes indicam que o partido quer esclarecer se houve contatos, articulações ou movimentações capazes de configurar algum tipo de participação estrangeira na eleição. As próprias informações disponíveis ressaltam que as conexões mencionadas precisam ser verificadas e que, até o momento, não há comprovação pública de que a campanha de Flávio tenha recebido financiamento estrangeiro irregular.
Outro episódio apresentado pelo PT envolve publicidade paga no exterior em perfis da plataforma X que publicaram conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro. De acordo com a CNN Brasil, a legenda afirma que anúncios foram veiculados por perfis estrangeiros entre os dias 18 e 21 de setembro, mas ainda não teria sido possível identificar quem financiou as publicações. A campanha de Flávio, segundo a reportagem, afirmou não ter conhecimento dos anúncios. O partido também pede a preservação de dados e documentos que possam permitir a identificação de responsáveis por pagamentos, intermediários e eventuais beneficiários das ações.
A petição menciona ainda a disponibilização de conteúdos produzidos pelo Brasil Paralelo e pelo Estúdio Quinto Elemento para a Academia da Direita, plataforma relacionada ao PL. O PT considera que essas relações devem ser examinadas dentro do conjunto de suspeitas apresentado ao Supremo. Paralelamente, a campanha de Lula também acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Alfredo Gaspar, levantando acusações de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. No TSE, a campanha sustenta que teria havido articulação com autoridades dos Estados Unidos, enquanto os envolvidos terão oportunidade de apresentar suas defesas no processo.
Agora, caberá ao Supremo analisar os pedidos apresentados e definir quais providências poderão ser adotadas. Caso a investigação seja aberta, as autoridades poderão buscar informações sobre recursos, contratos, anúncios, operações digitais e possíveis relações entre organizações brasileiras e estrangeiras. O objetivo será verificar se houve alguma atuação irregular capaz de interferir no processo eleitoral e identificar eventuais responsáveis. Por enquanto, as acusações apresentadas pelo PT permanecem no campo das suspeitas que o partido pretende investigar, sem uma conclusão judicial sobre a ocorrência de interferência estrangeira ou sobre eventual participação da campanha de Flávio Bolsonaro.



