Em carta à Mendonça, pai de Daniel Vorcaro afirma que não tratava de negócios com o filho: ‘Era rejeitado’

Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, encaminhou carta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, com cópia aos demais magistrados da Corte, na qual procura se afastar de qualquer envolvimento com os negócios e as apurações que envolvem o filho. Preso há quase quatro meses, ele nega todas as acusações que lhe são imputadas e pede que não seja arrastado para o caso apenas por laços familiares. O documento traz detalhes sobre a relação pessoal entre os dois e apresenta sua versão sobre os fatos investigados.
No texto, Henrique afirma que não participava de decisões nem era informado sobre a gestão do Banco Master ou de outros empreendimentos do filho. “Talvez eu seja a pessoa com quem ele menos conversava sobre seus negócios”, declarou. Segundo ele, após trabalhar junto por mais de 18 anos, Daniel decidiu seguir caminho próprio e passou a mantê-lo à margem de suas atividades. “Eu não era bem-vindo no banco nem em qualquer coisa dele. Isso é a verdade e me causava tristeza”, relatou, ao mesmo tempo em que reforçou o afeto que sente pelo filho.
Henrique destacou que a relação afetiva permaneceu preservada, mas que a distância profissional era clara. “O vínculo de pai e filho é bom, eu o amo muito. Sinto falta do tempo em que trabalhávamos lado a lado”, escreveu. O empresário sustenta que não há motivo para que ele seja investigado junto com o filho e pede que os holofotes do caso não recaiam sobre ele de forma automática. “Entendo a atenção sobre o Caso Master, mas não me incluam apenas porque sou pai de Daniel”, argumentou.
Ao se dirigir ao ministro André Mendonça, a quem classificou como “homem de Deus”, Henrique expressou surpresa e desalento com a duração da prisão. “Quando fui detido, imaginei que o senhor enxergaria a verdade e eu ficaria no máximo duas semanas. Enviei outras cartas e espero que esta seja recebida”, registrou. Ele classificou a situação como injusta e pediu misericórdia, reafirmando que não cometeu os atos que lhe são atribuídos.
Entre as alegações que rejeita está a de que teria participado de ameaças ou pressões contra pessoas ligadas ao círculo do filho, conforme aponta a Polícia Federal. “Nunca ameacei ninguém, nunca tomei parte em qualquer ação desse tipo. Não há em minha vida histórico de envolvimento com condutas irregulares. Trata-se de uma narrativa que não corresponde à realidade”, afirmou. Para ele, as versões apresentadas são desprovidas de fundamento e não resistem à análise criteriosa dos fatos.
A carta traz elementos que deverão ser avaliados no âmbito do processo em curso. Cabe à Justiça verificar a coerência entre o relato apresentado e os demais elementos de prova coligidos, garantindo a todos o direito de defesa e a análise imparcial dos fatos. A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que cada alegação seja cotejada com provas concretas, de modo que a decisão final reflita a verdade dos fatos e se paute estritamente pela lei, sem influência de qualquer natureza.



