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Flávio diz que Dino faz perseguição no STF em apuração sobre emendas

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou publicamente, nesta terça-feira, 22, a condução das investigações sobre o uso de emendas parlamentares pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Em declaração a jornalistas durante carreata em São Luís, capital do Maranhão — estado natal do magistrado —, o postulante classificou a apuração como seletiva e movida por motivações políticas. A operação em curso alcança inclusive o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro sustentou que o inquérito abrange diversos nomes, entre congressistas e outras pessoas, mas que os aliados do ministro no Maranhão não têm sido alvo de medidas. “Surge um novo inquérito de amplo alcance. Há muitos nomes relacionados, com indícios de uso irregular de recursos, mas contra os que estão ao lado de Flávio Dino nada acontece”, afirmou. O senador pediu então que o ministro se paute pela imparcialidade: “Seja juiz, não militante na Suprema Corte”, completou.

O candidato foi além ao expressar repulsa pelo que classificou como interferência da Corte no processo eleitoral. “Sinto desagrado com algumas decisões que têm sido tomadas. Dizem agir para proteger a democracia, mas na prática acabam prejudicando-a. Quem vai restabelecer o equilíbrio sou eu”, declarou. As afirmações reforçam a tensão entre a candidatura de oposição e o ministro, cujas ações na Justiça têm sido alvo de questionamentos frequentes nos últimos dias.

A operação que está no centro da polêmica, batizada de Make Up, foi autorizada por Flávio Dino em 10 de setembro. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, entre eles o do deputado federal Mário Frias (PL-SP), que atua como produtor-executivo do longa-metragem Dark Horse. A apuração examina supostos desvios, ocultação de valores e irregularidades no direcionamento de verbas públicas para o projeto cinematográfico.

Conforme levantamento da corporação, foram identificados repasses de emendas parlamentares indicadas por Mário Frias somando cerca de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Do total, constam pagamentos de R$ 700 mil a duas empresas, uma transferência de R$ 750 mil diretamente à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme, e mais R$ 645,4 mil enviados pelo próprio deputado à mesma empresa. Esses valores são agora alvo de análise para verificar a legalidade da destinação.

O Poder360 entrou em contato com o gabinete do ministro Flávio Dino, solicitando manifestação sobre as declarações do candidato. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para que a Corte ou o ministro possam apresentar sua versão sobre os fatos. A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que as investigações prossigam com transparência, igualdade de tratamento e respeito às leis, de modo que a verdade seja estabelecida sem favorecimento a nenhum lado.

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