Nova Quaest revela mudança que pode redesenhar a disputa presidencial

A mais recente pesquisa Quaest sobre a eleição presidencial de 2026 trouxe uma mudança relevante no retrato da disputa a menos de duas semanas do primeiro turno. Divulgado em 21 de setembro, o levantamento mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto na pesquisa estimulada e Flávio Bolsonaro (PL) com 33%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois aparecem em empate técnico no limite da margem. Na rodada anterior, Lula tinha 36% e Flávio, 31%, o que mostra uma redução da diferença numérica entre os dois candidatos. Os números reforçam um cenário de maior proximidade neste momento da campanha, mas não permitem concluir antecipadamente qual será o resultado das urnas.
A pesquisa também mostra pouca movimentação entre os demais candidatos. Augusto Cury (Avante) aparece com 6%, ante 7% no levantamento anterior; Ronaldo Caiado (PSD) mantém 4%; Renan Santos (Missão) registra 3%, depois de marcar 4%; Romeu Zema (Novo) permanece com 1%; e Samara Martins (UP) chega a 1%. Outros candidatos testados não pontuaram. Os indecisos somam 8%, enquanto 7% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam. Esse conjunto ajuda a explicar por que a evolução das intenções de voto continua sendo acompanhada de perto nesta reta final: além das oscilações dos dois primeiros colocados, ainda existe uma parcela do eleitorado que não declarou preferência por nenhum dos nomes apresentados na pesquisa.
O dado que mais chama a atenção nesta rodada é justamente a aproximação registrada no primeiro turno. Nas simulações de segundo turno, Lula e Flávio já apareciam dentro da margem de erro em levantamentos anteriores. Agora, a Quaest apresenta Flávio com 42% e Lula com 41% em um eventual confronto direto, mantendo o empate técnico. Nesse cenário, 14% dizem que votariam em branco, anulariam ou não votariam, e 3% permanecem indecisos. Em outras combinações, Lula aparece com 41% contra 39% de Caiado, 39% contra 35% de Cury, 41% contra 38% de Renan Santos e 46% contra 32% de Zema. Considerada a margem de erro de dois pontos percentuais, alguns desses cenários também apresentam diferenças reduzidas.
A aproximação entre os dois primeiros colocados também abriu espaço para análises sobre uma possível concentração maior de votos nas candidaturas que lideram o levantamento. Ao comentar os números apresentados pela Quaest, a jornalista Vera Magalhães destacou que os candidatos atualmente posicionados atrás de Lula e Flávio registram percentuais relativamente menores e avaliou que eventuais movimentos do eleitorado poderiam alterar a configuração da disputa. Essa leitura, entretanto, deve ser entendida como análise e não como previsão do resultado eleitoral. Para que uma candidatura seja eleita presidente já no primeiro turno, é necessário obter maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, mais da metade dos votos destinados aos candidatos, sem considerar votos brancos e nulos.
Outro elemento importante para compreender os dados é a própria natureza de uma pesquisa eleitoral. O levantamento registra as respostas dos entrevistados no período em que a coleta foi realizada e não funciona como antecipação do resultado oficial da eleição. A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, enquanto o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06004/2026. Dessa forma, oscilações pequenas entre uma rodada e outra, especialmente quando permanecem dentro da margem de erro, precisam ser observadas com cautela.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a nova rodada da Quaest acrescenta um dado importante ao acompanhamento da eleição: a diferença numérica entre Lula e Flávio Bolsonaro caiu para quatro pontos percentuais no cenário estimulado, fazendo com que os dois sejam considerados tecnicamente empatados no limite da margem de erro. Ao mesmo tempo, os números ainda mostram eleitores indecisos, candidaturas com percentuais menores e uma parcela que declara voto branco, nulo ou intenção de não comparecer. Mudanças de preferência até o dia da votação podem modificar o quadro registrado pelas pesquisas, sem que seja possível afirmar antecipadamente em qual direção ocorrerão. Assim, o levantamento retrata uma disputa mais próxima neste momento, enquanto a definição da eleição dependerá exclusivamente dos votos efetivamente registrados e apurados pela Justiça Eleitoral.



