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Advogada que recebeu R$ 33 milhões de Vorcaro era tratada como “sócia de Gilmar” pela cúpula do Banco Master

Conversas obtidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que executivos do Banco Master se referiam à advogada Dalide Corrêa como “sócia do ministro Gilmar Mendes”, do Supremo Tribunal Federal. A menção aparece em diálogos que tratavam da liberação de pagamentos milionários em favor da profissional, que recebeu ao todo R$ 33 milhões da instituição financeira. Os registros indicam ainda pressão para que os repasses fossem priorizados, em meio a operações envolvendo precatórios que representavam parcela expressiva dos ativos do banco.

Em mensagem de dezembro de 2024, o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, escreveu a Vorcaro: “Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf!”. O texto também cita suposta relação da advogada com o BTG Pactual. Meses antes, em data não especificada, Rennó já havia cobrado a liberação de uma fatura de R$ 15 milhões ligada a uma vitória judicial sobre precatórios da Usina Catende, em Pernambuco. Naquele ano, os precatórios correspondiam a 47% da carteira do banco, o que demonstra a relevância do tema para a instituição.

O nome de Dalide Corrêa também surge em encontro registrado no Supremo, em abril de 2024, quando Vorcaro e advogados do banco foram recebidos pelo ministro Gilmar Mendes para tratar de processo ligado à Usina Alcídia. O gabinete esclarece, porém, que o ministro votou contra os interesses do banqueiro naquela e em outras causas do setor sucroalcooleiro. A questão central, segundo os diálogos, não seria apenas a atuação profissional, mas sim a existência de um vínculo que justificasse a prioridade e os valores envolvidos.

Tanto o ministro quanto a advogada negaram categoricamente qualquer sociedade entre eles. Em nota oficial, o gabinete de Gilmar Mendes classificou a afirmação dos executivos do banco como “falsa”. Esclareceu que Dalide Corrêa ocupou cargo técnico de diretora-geral do IDP, instituição fundada pelo ministro, até novembro de 2016, sem jamais ter sido sócia. O ministro acrescentou desconhecer a atuação da advogada em processos ligados a precatórios do setor e reiterou ter votado contra os interesses do Master em todos os casos que julgou.

O escritório Alves Corrêa & Veríssimo, representado por Dalide Corrêa, também se pronunciou. Negou qualquer sociedade com Gilmar Mendes, relação com o BTG Pactual e contato com Francisco Feitosa há muitos anos. Esclareceu que a atuação restringiu-se a processos de primeira e segunda instância em favor de empresas que posteriormente cederam créditos ao banco. Afirmou ainda que os resultados dos trabalhos foram variados, com vitórias e derrotas, e que a atividade seguiu os trâmites legais da profissão.

O caso levanta questões sobre a fronteira entre relações profissionais e influência indevida junto a autoridades. A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que cada alegação seja confrontada com provas e que as explicações apresentadas sejam verificadas pelas autoridades competentes. A transparência sobre valores, contratos e vínculos é essencial para restabelecer a confiança nas instituições. Os próximos passos da investigação poderão confirmar ou afastar as suspeitas, e cada envolvido terá oportunidade de demonstrar a regularidade de seus atos.

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