O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu a imagens ligadas à fé nesta quarta-feira, 16, durante encontro com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, no Palácio do Planalto. Dirigindo-se também a convidados vindos dos Estados Unidos e de Cuba, o petista recordou como costumava explicar ao longo dos anos os símbolos do Partido dos Trabalhadores e até traços de sua própria aparência. A fala reforça a estratégia de aproximação com um eleitorado que tradicionalmente mantém reservas em relação ao partido, e ocorre pouco depois de a entidade formalizar apoio à sua reeleição.
Lula relatou que, desde a criação da legenda, precisou esclarecer a escolha da cor vermelha da bandeira. “Eu passei anos explicando isso. Dizia que o vermelho remetia ao sangue de Cristo, símbolo de dedicação e amor”, contou. Também foi questionado sobre a estrela presente no emblema partidário e respondia lembrando que, ao longo da história, navegadores confiavam nas estrelas como guia para cruzar os oceanos. Até mesmo sua barba foi alvo de comentários: “Dizia simplesmente que Jesus Cristo era barbudo”, revelou, sempre buscando pontos de entendimento com quem indagava.
O presidente teceu ainda considerações sobre estruturas de organização religiosa. Avaliou que a Igreja Católica enfrentará obstáculos enquanto mantiver a regra do celibato e não permitir que mulheres exerçam funções sacerdotais, como ordenação de padres e bispos. “Nesse aspecto, a Igreja Evangélica demonstra vantagem: as mulheres são tratadas com igualdade e podem ocupar qualquer espaço”, observou. A declaração ressoa junto a um público em que a participação feminina nas comunidades de fé é ampla e ativa.
Apesar da abertura ao diálogo, Lula deixou claro que preserva limites entre política e espaço de culto. “Considero a religião algo sagrado. Por isso, não faço comícios dentro de templos. Se quiser fazer política, vou para a rua. Em nenhuma igreja realizo atos eleitorais”, frisou. A postura busca afastar a imagem de que utilizaria locais de fé como palanque, prática que costuma gerar polêmica e divisão entre diferentes segmentos da sociedade.
A reunião acontece em momento estratégico: no fim de agosto, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito divulgou carta aberta em que declarou apoio à reeleição do presidente. O documento associa a permanência de Lula no Palácio do Planalto a valores cristãos e apresenta críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação representa um esforço organizado de parte do segmento religioso em fortalecer a candidatura governista, em meio a um cenário onde a disputa pelo voto evangélico se mostra acirrada.
O encontro também teve dimensão internacional, com presença de representantes de igrejas norte-americanas e cubanas. A troca de experiências e a defesa do diálogo entre fé e cidadania foram mencionadas como pontos centrais da pauta. A reação do eleitorado a essas aproximações ainda será confirmada nas urnas, mas o tom e a frequência dos encontros demonstram que o segmento religioso segue sendo um dos focos principais da campanha, com vistas a ampliar a base de sustentação nas semanas que antecedem a votação.







