O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou nesta quarta-feira, 16, desvincular sua gestão da escolha do ministro Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal, em meio à crise que envolve o magistrado e desgasta as relações entre os Poderes. “Eu não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado ao STF”, afirmou, ao atribuir a responsabilidade pela composição atual da Corte a nomes de outras gestões. A declaração chega em momento em que as ligações entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro seguem no centro dos debates públicos e institucionais.
O presidente apontou o senador Flávio Bolsonaro como responsável pelas indicações de Moraes, de André Mendonça e de Kassio Nunes Marques ao tribunal. “Ele é quem deve ser cobrado, não eu”, sustentou. A respeito de Moraes, porém, a fala contém uma imprecisão: o ministro foi nomeado em 2017, durante o governo de Michel Temer, quando Flávio Bolsonaro ainda não exercia mandato no Senado. O detalhe reforça como a disputa sobre a origem das indicações se entrelaça com a campanha eleitoral e com a tentativa de definir responsabilidades públicas.
Apesar de destacar a indicação feita por outros, Lula defendeu que a apuração sobre a conduta de Moraes ocorra com os mesmos critérios aplicados a qualquer cidadão. “Quem cometeu erro, em qualquer área, deve ser julgado. Defendo um processo justo, com amplo direito de defesa, mas se houver prova de irregularidade, a pessoa deve responder”, declarou. O princípio, segundo ele, aplica-se a todos: “Vale para mim, vale para Alexandre de Moraes, vale para Edson Fachin”. A posição reafirma a exigência de isonomia nas apurações, sem distinção por cargo ou função.
O presidente reconheceu, no entanto, serviços prestados pelo ministro à democracia. “Acho que Alexandre de Moraes prestou dois grandes serviços ao país”, observou. Lembrou especialmente a gestão dele à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições em que o próprio presidente foi vitorioso. “O Brasil sabe a tentativa que houve de abalar a credibilidade das urnas, que são o sistema mais moderno e ágil que possuímos”, afirmou, ao associar a atuação de Moraes à preservação da confiabilidade do processo eleitoral.
A postura do presidente reflete o equilíbrio delicado que busca manter: cobrar transparência e responsabilidade sem deixar de reconhecer trajetórias e contribuições que considera relevantes. Ao mesmo tempo em que ressalta a necessidade de investigação, evita antecipar julgamento e preserva a avaliação de atuações anteriores. A estratégia também procura afastar a imagem de que haveria proteção política dentro da Corte, ainda que ministros indicados por sua gestão tenham adotado posições que muitos interpretam como favoráveis a Moraes.
A sociedade acompanha estes desdobramentos com a expectativa de que as investigações prossigam com clareza, celeridade e imparcialidade. Independentemente de quem tenha indicado cada ministro, o que se espera é que as decisões sejam baseadas em provas e na lei, sem influência de interesses eleitorais ou de alianças momentâneas. O país espera que a verdade seja estabelecida e que as instituições saiam fortalecidas, demonstrando que a Justiça atua em favor de todos os brasileiros, sem distinção.







