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Flávio Dino cita mensagens sobre Gilmar Mendes ao ordenar ação da PF contra deputado

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, reproduziu em decisão que autorizou diligências da Polícia Federal trechos de mensagens em que investigados citam nomes de integrantes da própria Corte. Gilmar Mendes, André Mendonça, Nunes Marques e o presidente Edson Fachin aparecem no material anexado ao despacho, como pessoas que teriam sido mencionadas em diálogos sobre supostas abordagens e articulações. A inclusão ocorre mesmo após a própria PF destacar que não existem indícios de prática delituosa por parte dos magistrados e que eles não são alvo da apuração.

A investigação mira especificamente o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e a advogada Mariângela Fialek, que já atuou na Câmara dos Deputados. Os dois são suspeitos de se valerem da aparência de proximidade com o Poder Judiciário para prometer interferência e facilidades em processos em trâmite. Não há acusação de que os ministros tenham participado de qualquer conduta irregular; ao contrário, eles surgem nas conversas trocadas entre os próprios investigados como nomes que seriam acionados ou contatados.

Nas mensagens apresentadas, os investigados fazem referência a tratativas que envolveriam o ministro Gilmar Mendes, além de André Mendonça e Nunes Marques. Também é citada uma ação que estaria sob a relatoria ou análise de Edson Fachin. A Polícia Federal deixou claro, no entanto, que essas menções não transformam os magistrados em alvos. “Não constituem objeto desta apuração, nem da medida ora requerida, a conduta de ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior Eleitoral ou de quaisquer outros magistrados”, registrou a corporação.

A distinção entre citar e investigar é central para o entendimento do caso. O fato de os nomes aparecerem em diálogos entre suspeitos não significa que haja suspeita contra os próprios ministros. A PF reforça que o foco das diligências recai sobre quem teria utilizado a imagem de acesso ao Judiciário como forma de obter vantagens ou realizar promessas. Os mandados autorizados por Dino buscam aprofundar exatamente essa dinâmica: se houve tentativa de se valer da proximidade com a Corte para fins indevidos.

A divulgação dos trechos com os nomes dos magistrados gerou repercussão, mas não altera o escopo definido pela autoridade policial. A medida autorizada permite à PF avançar na coleta de elementos que comprovem ou afastem a existência de um esquema de tráfico de influência operado por terceiros. Cabe ressaltar que, em investigações dessa natureza, é comum que pessoas mencionadas em conversas não sejam, por isso mesmo, investigadas, mas apenas referenciadas no contexto das ações supostamente praticadas.

A sociedade acompanha os desdobramentos com atenção, buscando separar o que é menção feita por terceiros do que é fato comprovado. Os próximos passos da apuração deverão esclarecer a natureza das tratativas citadas, quem realmente buscou contato com quem e se houve promessas de resultados em processos judiciais. Até o momento, não há qualquer acusação formal contra os ministros mencionados, e a própria Polícia Federal reafirmou que eles não fazem parte do grupo de pessoas sob investigação neste procedimento.

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