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As contas dos votos dos ministros para o julgamento de Moraes no STF

A menos de 24 horas da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal marcada para esta terça-feira, 15, os bastidores da Corte concentram-se numa única dúvida: como votará a ministra Cármen Lúcia? O julgamento vai definir o destino do relatório da Polícia Federal que traz mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, num dos momentos mais sensíveis da instituição nos últimos anos. Até a noite desta segunda-feira, o presidente Edson Fachin não sinalizou qualquer adiamento, mesmo com pressões nos corredores nesse sentido ao longo do fim de semana.

O cerne da questão está na validade do material levantado pela PF. O plenário precisará decidir se as informações poderão servir de base à investigação solicitada pelo ministro André Mendonça ou se o procedimento deve ser considerado nulo, como defende a Procuradoria-Geral da República. A decisão vai muito além de um caso isolado: definirá os rumos de apurações que envolvem também o Banco Master, repasses para projetos e figuras de destaque da política nacional, com repercussão direta no cenário eleitoral.

As primeiras projeções feitas internamente apontam para um equilíbrio quase perfeito. Avaliações levam a crer que André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux deverão posicionar-se contrários à manutenção do relatório. Do outro lado, Alexandre de Moraes — que não participará da votação — deverá contar com os votos de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Dias Toffoli tende a ficar impedido de votar, o que deixa o placar inicial matematicamente empatado em três a três.

O quadro, porém, está longe de estar fechado. Nos últimos dias, novos elementos foram adicionados à disputa: Gilmar Mendes cobrou acesso a processo que permanecia sob sigilo no gabinete de Mendonça; Zanin também formalizou pedido de acesso integral aos dados extraídos do celular de Vorcaro. A movimentação demonstra que, antes mesmo de qualquer voto, os próprios ministros ainda buscam garantias de que todos dispõem das mesmas informações para formar convicção.

A incógnita recai sobre Cármen Lúcia. A ministra tem mantido perfil reservado e não emitiu qualquer sinal público que permita antecipar sua posição. Ninguém dentro do Tribunal arrisca apontar com segurança qual caminho seguirá. O presidente Edson Fachin também terá direito a voto, mas a expectativa predominante é que ele procure preservar sua decisão para uma eventual situação de desempate, caso a divisão se confirme até o último momento.

A sociedade acompanha com atenção crescente cada movimento. O julgamento de terça-feira não apenas definirá a sorte de um relatório de investigação, mas também poderá reconfigurar a dinâmica de decisões do Supremo nos meses que seguem. A postura de cada ministro, os argumentos apresentados e, sobretudo, o voto da ministra que permanece em silêncio serão determinantes para o rumo dos acontecimentos. O país aguarda: a resposta que ainda não veio pode mudar tudo.

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