Lula diz em Curitiba que ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico

Em Curitiba, no Paraná, neste sábado, 12 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ninguém pode ocupar uma cadeira na Suprema Corte com a expectativa de enriquecer, em uma fala que buscou reforçar a ideia de que o exercício da função exige vocação pública, disciplina institucional e compromisso com a República.
A declaração foi dada em meio a um ambiente político marcado por tensão em torno do Supremo Tribunal Federal e por repercussões do caso Banco Master, que levou a Polícia Federal a avançar em apurações sobre suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Em junho, o ministro André Mendonça autorizou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, relacionada ao caso, com mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares contra investigados.
Ao tratar da Corte, Lula retomou uma formulação que tem usado em discursos públicos para defender que ministros do Judiciário não podem agir movidos por interesse pessoal. O presidente associou a posição a um padrão de conduta superior ao exigido da sociedade em geral e tentou enquadrar o debate como uma questão de responsabilidade institucional, não de disputa individual.
Na fala, o chefe do Executivo também descreveu o cargo de ministro da Suprema Corte como um espécie de “sacerdócio”, expressão que reforça a tese de que a função deve ser exercida com desprendimento e sob forte escrutínio público. A mensagem foi apresentada como um alerta contra enriquecimento indevido e como defesa de uma cultura de integridade dentro do Judiciário.
O discurso ocorre num momento em que o STF, presidido por Edson Fachin, mantém uma agenda intensa de julgamentos e sessões virtuais ao longo de setembro. A própria Corte informou que o período de 4 a 14 de setembro concentra diversos processos em análise no Plenário Virtual, além de pautas ligadas a temas constitucionais relevantes e ao funcionamento da Justiça.
No mesmo sábado em que Lula falou em Curitiba, a página institucional do STF registrava agenda sem eventos para Fachin, mas mantinha em destaque a estrutura de sessões, julgamentos e comunicação com o público. Nos últimos dias, o presidente da Corte também tem aparecido em iniciativas de defesa do diálogo e da tolerância no processo eleitoral, numa tentativa de reforçar a imagem institucional do tribunal em meio ao clima de polarização.
A crise em torno do Banco Master ganhou nova dimensão ao atingir o sistema de Justiça e os bastidores políticos. Em abril, a Segunda Turma do STF manteve as prisões preventivas do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa e do advogado Daniel Lopes Monteiro, decretadas no âmbito do caso a pedido da Polícia Federal e com aval da Procuradoria-Geral da República. O processo se tornou um dos principais focos de pressão sobre autoridades e instituições ligadas à investigação.
Além do aspecto criminal, o caso passou a irradiar disputa institucional e preocupação com a imagem da Corte, porque passou a ser acompanhado de perto por ministros, gabinetes e assessorias internas. O STF publicou em julho e agosto atos processuais e decisões relacionadas ao tema, o que reforça a dimensão jurídica da crise e ajuda a explicar por que o assunto entrou na agenda pública com tanta força em setembro.
Na intervenção em Curitiba, Lula buscou separar a defesa da instituição de qualquer proteção a interesses privados ou familiares. Ao insistir que ninguém deve usar cargo de Estado para buscar ganho pessoal, ele preservou o tom de cobrança moral sobre o Judiciário e, ao mesmo tempo, sinalizou que não pretende entrar na lógica de blindagem política que costuma cercar crises envolvendo altas autoridades.
O recado também tem leitura eleitoral. Ao levar a mensagem para um ato público em uma capital de forte simbolismo político, o presidente manteve o tema no centro da disputa nacional e associou a defesa do Supremo à imagem de estabilidade institucional que o governo quer projetar. Assim, a crítica à ambição pessoal dentro da Corte funciona também como defesa da autoridade do STF diante do desgaste provocado pelo caso Master.
Nos bastidores, a fala se encaixa na estratégia de sustentar o Judiciário como pilar de previsibilidade, ao mesmo tempo em que o governo procura evitar que a crise seja lida apenas como embate entre grupos internos da magistratura. O objetivo, pela forma como o presidente formulou a declaração, foi reafirmar que cargos de cúpula exigem sobriedade, transparência e controle público, sobretudo quando o ambiente político já está contaminado por suspeitas e disputas de narrativa.
Ao resumir a posição em uma frase de forte apelo simbólico, Lula tentou transformar uma crítica ao enriquecimento em advertência institucional mais ampla: para ele, a Suprema Corte não pode ser tratada como espaço de ascensão patrimonial, mas como um posto de serviço público. Em um momento de pressão sobre o STF e de repercussão do caso Banco Master, a mensagem buscou combinar defesa da Corte, cobrança de conduta e reposicionamento político do governo.
Com informações de g1, Agência Brasil, CNN Brasil e Folha de S.Paulo.



