Lula cobra explicações de Fachin e coloca ações de Mendonça no centro da crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou neste sábado (12) que conversou diretamente com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, sobre a condução das investigações relacionadas ao Caso Master. Durante um evento de campanha em Curitiba, no Paraná, Lula disse ter manifestado preocupação com o que classificou como divulgação seletiva de informações pelo relator do caso, ministro André Mendonça. Segundo o presidente, a cobrança feita a Fachin teve como objetivo garantir que o conteúdo dos processos fosse disponibilizado de maneira ampla, sem seleção prévia de documentos. A assessoria do STF foi procurada pelo UOL para comentar as declarações, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
Lula afirmou que já havia defendido publicamente a retirada do sigilo dos processos envolvendo o Banco Master e revelou que levou o assunto diretamente a Fachin. De acordo com o presidente, o ministro do STF teria solicitado a Mendonça que ampliasse o acesso aos documentos relacionados às investigações. Em um primeiro momento, apenas parte do material foi disponibilizada. Posteriormente, Fachin estabeleceu um prazo de 24 horas para que também fosse retirado o sigilo de uma ação relacionada ao filme “Dark Horse”. Com a ampliação da publicidade dos processos, permanecem sob segredo apenas os procedimentos que ainda estão em fase de diligências, incluindo investigações e pedidos judiciais que continuam em andamento.
A discussão ocorre em meio ao aumento da tensão dentro do STF em torno da condução do Caso Master e da divulgação de documentos relacionados às apurações. André Mendonça havia determinado a retirada do sigilo de diferentes processos, mas houve divergências sobre a extensão do material disponibilizado. O ministro Alexandre de Moraes questionou anteriormente a existência de documentos que, segundo ele, não teriam sido liberados, enquanto Mendonça afirmou que todo o conteúdo efetivamente disponível nos procedimentos cujo sigilo foi levantado havia sido tornado público. A divergência envolve, entre outros pontos, a forma como os documentos são contabilizados no sistema eletrônico do tribunal e a possibilidade de algumas peças terem sido transferidas para outros procedimentos ou corresponderem a documentos internos.
Durante o discurso em Curitiba, Lula também fez referências a informações que vieram a público no contexto das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O presidente mencionou relatos sobre uma festa patrocinada pelo empresário e afirmou que as apurações devem alcançar eventuais irregularidades independentemente de quem esteja envolvido. Lula também declarou que seu governo não interfere para impedir investigações e citou o próprio filho, que aparece em apurações relacionadas a supostos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o presidente, eventual responsabilidade deve ser analisada pelas autoridades competentes e, caso seja comprovada alguma irregularidade, as consequências devem ser aplicadas conforme a legislação.
O presidente ainda aproveitou a passagem pelo Paraná para fazer críticas a adversários políticos. Embora não tenha citado nominalmente o senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do estado, Lula fez uma declaração que foi interpretada como uma referência ao ex-juiz da Operação Lava Jato. O petista afirmou que não conhecia todos os candidatos paranaenses, mas disse saber que havia um deles que, em sua avaliação, “não vale o que come”. A declaração ocorreu diante de aliados e candidatos da base política de Lula no estado, entre eles os candidatos ao Senado Dr. Rosinha e Gleisi Hoffmann, além de Requião Filho, candidato ao governo pelo PDT, acompanhado do pai, o ex-governador Roberto Requião, e do candidato a vice, Michele Caputo.
A fala de Lula ocorre às vésperas de uma semana considerada importante para o STF, que deverá analisar questões relacionadas ao Caso Master e aos documentos produzidos durante as investigações. O embate sobre a abertura dos processos ganhou espaço no debate político justamente pela presença de autoridades e figuras públicas entre os nomes mencionados nas apurações. A defesa da transparência feita por Lula se soma às manifestações de outros integrantes do governo e de diferentes setores políticos que passaram a cobrar maior publicidade dos procedimentos. Ao mesmo tempo, as divergências entre ministros sobre a extensão da liberação dos documentos mantêm o caso no centro das atenções e podem influenciar os próximos passos da análise no Supremo.



