Flávio manda recado bombástico à Moraes e STF

O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, elevou o tom das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante o ato político realizado nesta segunda-feira (7), na Avenida Paulista, em São Paulo. Diante de apoiadores, o senador direcionou parte de seu discurso ao ministro Alexandre de Moraes e apresentou uma de suas principais propostas para o Judiciário: caso seja eleito, afirmou que pretende indicar cinco novos integrantes para a Suprema Corte. A declaração colocou o STF novamente no centro da mobilização política promovida por grupos ligados à direita e reforçou a estratégia de campanha de Flávio em um momento decisivo da disputa eleitoral. O evento, marcado por discursos de lideranças conservadoras e pedidos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, também serviu como demonstração pública da capacidade de mobilização do grupo político.
Durante sua fala, Flávio Bolsonaro afirmou que seria necessário, segundo sua avaliação, “proteger o STF de Alexandre de Moraes” e defendeu mudanças na composição da Corte. O candidato declarou que pretende escolher ministros com posições contrárias ao aborto e às drogas e que, em sua visão, contribuiriam para recuperar a confiança da população no Supremo. Flávio também associou uma eventual vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à possibilidade de novas indicações para o tribunal. “Quem vota em Lula, vota em Alexandre de Moraes”, afirmou o candidato, ao criticar a perspectiva de o atual presidente indicar integrantes para a Corte. Moraes chegou ao STF por indicação do então presidente Michel Temer, em 2017, e sua atuação passou a ocupar espaço central nos debates entre o Supremo e setores do campo político conservador.
O discurso de Flávio também recuperou acontecimentos relacionados ao período em que Jair Bolsonaro disputou a Presidência, em 2018, além de fazer referências aos atos de 8 de janeiro de 2023. O candidato classificou os acontecimentos daquela data como uma “farsa” e afirmou que o pai teria sofrido uma segunda “facada” ao ser condenado por crimes que, segundo ele, não teria cometido. Ao longo do evento, o pedido de anistia para Jair Bolsonaro apareceu entre as principais mensagens apresentadas aos participantes. O ex-presidente foi condenado em processo relacionado à tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022 e permanece como uma das figuras centrais da mobilização política de seus apoiadores. A presença do tema demonstra que a situação jurídica de Bolsonaro continua sendo um dos principais elementos de união entre diferentes grupos da direita brasileira.
Outras lideranças também aproveitaram o palco da Avenida Paulista para apresentar críticas ao STF e defender suas próprias pautas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que ninguém está acima da lei e da Constituição e pediu que o Supremo examine internamente as denúncias e questionamentos apresentados contra seus integrantes. O deputado Nikolas Ferreira voltou a comentar as mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro e classificou os áudios como “pastel de vento”. Já o pastor Silas Malafaia pediu uma atuação do presidente do STF, Edson Fachin, em relação a Alexandre de Moraes. O ato também contou com referências a André Mendonça, ministro indicado por Jair Bolsonaro, incluindo um boneco inflável que chamou a atenção do público. A programação começou com discursos de Sonia Hernandes e Bia Kicis, seguida pela participação do prefeito Ricardo Nunes.
A manifestação foi acompanhada de perto pelo campo político por representar um importante teste para a capacidade de mobilização do bolsonarismo. O evento teve como principais palavras de ordem “Fora, Lula, Fora, Moraes” e “É agora ou nunca”, enquanto o PL utilizou a mensagem “Vamos juntos resgatar o Brasil” na divulgação da mobilização. A campanha de Flávio Bolsonaro trabalha para transformar a manifestação em um momento de fortalecimento da candidatura, especialmente porque os levantamentos eleitorais citados no material apontam vantagem de Lula. A estratégia também inclui o apoio a nomes alinhados à direita nas eleições para o Senado e a defesa de pautas como pedidos de impeachment no Congresso Nacional. Com isso, a Avenida Paulista se transformou não apenas em espaço de protesto, mas também em uma vitrine para as prioridades políticas que deverão dominar a campanha nos próximos meses.
O cenário eleitoral aumenta a importância do ato para Flávio Bolsonaro. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada em 3 de setembro, Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registra 33%. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, o levantamento aponta 46% para Lula e 44% para o candidato do PL. Na pesquisa anterior, divulgada em 21 de agosto, a diferença no segundo turno era de quatro pontos: Lula tinha 47%, contra 43% de Flávio. Os números ajudam a explicar por que a manifestação ganhou peso estratégico para a campanha. Ao concentrar críticas ao governo, ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes, além de defender novas indicações para a Suprema Corte e a anistia para Jair Bolsonaro, Flávio busca consolidar sua base e ampliar sua presença na disputa presidencial. O resultado dessa estratégia, porém, dependerá da capacidade de transformar a mobilização das ruas em crescimento efetivo nas intenções de voto.



