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Fachin procura ministros e sinaliza decisão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, iniciou uma série de articulações internas diante da crise que passou a envolver os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Segundo informações divulgadas neste domingo (7), Fachin pretende conversar com integrantes da Corte nos próximos dias para avaliar os possíveis caminhos institucionais diante do conflito. Ainda não está definido se o presidente reunirá todos os ministros ou se optará por encontros individuais. O objetivo é ouvir diferentes posições antes de tomar qualquer decisão sobre os procedimentos que passaram a concentrar as acusações e questionamentos envolvendo os dois magistrados.

Pessoas que conversaram com Fachin relataram que o presidente do STF demonstra disposição para analisar medidas relacionadas à situação de Alexandre de Moraes. No entanto, integrantes da Corte teriam alertado que qualquer iniciativa mais significativa dependerá da construção de um entendimento entre os ministros. A avaliação é que decisões tomadas sem apoio interno poderiam ampliar ainda mais a tensão dentro do Supremo. Fachin, que passou a centralizar parte dos procedimentos relacionados à crise, busca agora reunir informações e avaliar até que ponto existe espaço para uma solução institucional capaz de reduzir os desgastes provocados pelo embate.

Entre as possibilidades discutidas nos bastidores está a adoção de alguma medida temporária envolvendo Alexandre de Moraes enquanto os fatos relacionados ao caso são analisados. Entretanto, aliados do ministro avaliam que qualquer iniciativa dessa natureza poderia provocar uma reação imediata com cobranças por tratamento semelhante em relação a André Mendonça. Moraes acusa o colega de parcialidade e questiona a forma como o relator do caso Master conduziu determinadas etapas das investigações. O conflito, portanto, passou a envolver acusações dos dois lados e tornou ainda mais difícil a construção de uma saída que seja aceita pelos diferentes grupos dentro do tribunal.

A possibilidade de uma reunião presencial do plenário também preocupa ministros do Supremo. O receio é que um encontro destinado a discutir diretamente a crise possa transformar a sessão em um novo palco para o confronto entre Mendonça e Moraes. A relação entre os dois magistrados atravessa um dos momentos mais delicados desde o início da atual composição da Corte. Os ministros ocupam lugares próximos no plenário, seguindo a ordem de antiguidade, o que aumenta a preocupação sobre a possibilidade de um debate presencial marcado por tensão. Por esse motivo, uma das alternativas consideradas seria levar eventuais decisões ao plenário virtual.

No julgamento virtual, os ministros apresentam seus votos eletronicamente, sem a necessidade de uma reunião presencial. A modalidade poderia reduzir o risco de novos embates públicos e permitir que cada integrante da Corte apresentasse sua posição formalmente nos autos. Ainda assim, a decisão sobre qual caminho será adotado dependerá da avaliação de Fachin e do andamento dos procedimentos que estão sob análise. O presidente do STF tem buscado preservar o caráter institucional da discussão e evitar que a crise se transforme em um conflito ainda maior diante da opinião pública.

As manifestações realizadas no feriado de 7 de Setembro também foram acompanhadas com atenção por integrantes do Supremo. Havia expectativa de que atos pelo país pudessem aumentar a pressão sobre a Corte, especialmente caso reunissem grupos de diferentes correntes políticas em torno de críticas ao tribunal. A avaliação entre ministros, porém, é que a maior parte das manifestações ficou associada a setores específicos da direita, reduzindo o impacto de uma eventual pressão mais ampla sobre o STF. Para integrantes da Corte, o cenário seria diferente caso a insatisfação aparecesse de forma mais abrangente entre diferentes grupos do eleitorado.

A crise ganhou força após a divulgação de informações relacionadas às investigações envolvendo Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo as informações reveladas, André Mendonça determinou à Polícia Federal a identificação de uma pessoa mencionada em mensagens encontradas no celular do empresário. A investigação apontou Alexandre de Moraes como interlocutor em parte dos diálogos analisados. A partir da divulgação do material, Moraes passou a questionar a atuação de Mendonça e a forma como determinadas etapas da apuração foram conduzidas.

Nas mensagens analisadas pela Polícia Federal, Vorcaro teria procurado Moraes em busca de interlocução envolvendo autoridades como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. De acordo com as informações divulgadas, algumas respostas atribuídas ao ministro não apareceram integralmente no relatório porque teriam sido enviadas por meio de mensagens com visualização temporária. O conteúdo passou a alimentar questionamentos e ampliou a repercussão política e institucional do caso.

Agora, Fachin enfrenta o desafio de conduzir uma crise que ultrapassou os limites de uma simples divergência entre ministros. O presidente do STF deverá decidir os próximos passos após reunir informações e ouvir os envolvidos. Nos bastidores, a expectativa é de que qualquer medida relevante precise considerar o equilíbrio interno da Corte, já que decisões envolvendo um dos ministros podem gerar cobranças por reciprocidade e ampliar ainda mais o conflito. O desfecho das conversas previstas para os próximos dias poderá definir como o Supremo pretende enfrentar uma das maiores crises internas recentes de sua atual composição.

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