Resposta afiada: Lula rebate críticas e afirma que Flávio Bolsonaro ‘se apequena’ diante do exterior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a véspera do 7 de Setembro para transformar a data da Independência do Brasil em uma mensagem diretamente ligada à disputa eleitoral de 2026. Em um comercial publicado nas redes sociais neste domingo (6), o petista criticou a postura de Flávio Bolsonaro (PL) e de integrantes da família Bolsonaro em relação aos Estados Unidos. A peça apresentou uma comparação entre dois projetos políticos e associou a candidatura de Flávio à ideia de um país que, nas palavras de Lula, “se apequena para outros países”. O presidente, por outro lado, se colocou como representante de um Brasil que “se levanta para defender a nação”.
A propaganda foi construída especialmente para aproveitar o simbolismo do Dia da Independência. Logo no início, Lula relaciona a data de 7 de Setembro à escolha que os eleitores terão pela frente nas urnas. “Um dia fundamental para a gente lembrar que esse ano o seu voto define se teremos um Brasil que se levanta para proteger a nação ou um país que se apequena para outros países”, afirmou o presidente na mensagem que acompanhou a publicação. Com isso, a campanha petista procurou transformar a discussão sobre soberania nacional em um dos elementos centrais da disputa presidencial, colocando a relação do Brasil com outras nações no centro do debate eleitoral.
O vídeo também recupera declarações anteriores de Flávio Bolsonaro sobre os Estados Unidos e mostra imagens do candidato ao lado de autoridades estrangeiras, entre elas Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Javier Milei. Em determinado momento da peça, aparecem declarações do senador relacionadas à política norte-americana e ao impacto das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. O material também resgata uma fala de Flávio segundo a qual o Brasil não estaria em condições de exigir determinadas medidas do governo norte-americano. A campanha de Lula utiliza essas declarações para sustentar sua crítica e apresentar o adversário como alguém que teria uma postura mais favorável aos interesses externos.
Em contraponto, a propaganda apresenta Lula defendendo uma postura de maior autonomia do Brasil diante de outros países. O presidente aparece falando sobre o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos que também entrou no debate envolvendo as relações entre Brasil e Estados Unidos. “O Pix é do Brasil, é público, é gratuito e vai continuar sendo nosso”, afirma Lula no vídeo. A mensagem procura associar a defesa de instrumentos nacionais à ideia de soberania e independência, aproveitando justamente a proximidade com a celebração de 7 de Setembro. No encerramento, a campanha apresenta ao eleitor uma pergunta que resume a estratégia do comercial: “Que Brasil você quer?”.
A escolha do tema ocorre em uma eleição marcada pela forte polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os dois aparecem como protagonistas de uma disputa que já ganhou espaço nos atos públicos realizados durante o feriado. Enquanto Lula participou do desfile oficial na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, Flávio esteve associado à mobilização realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, com críticas ao governo federal e ao ministro Alexandre de Moraes. O cenário fez com que o 7 de Setembro assumisse também uma dimensão eleitoral, com os principais nomes da disputa presidencial utilizando a data e seus símbolos para apresentar diferentes visões sobre o futuro do país.
A estratégia de Lula ocorre ainda em um momento de equilíbrio apertado nas pesquisas eleitorais. Levantamento PoderData/Aya divulgado em 3 de setembro apontou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 44% de Lula. A diferença ficou dentro da margem de erro, o que caracteriza empate técnico. No primeiro turno, o levantamento registrou Lula com 37% e Flávio com 34%. Os números ajudam a explicar por que cada movimento de campanha ganhou importância nas últimas semanas, principalmente quando envolve temas capazes de mobilizar grupos de eleitores e estabelecer diferenças entre os dois principais candidatos.
Ao utilizar o 7 de Setembro para apresentar sua visão sobre soberania e relações internacionais, Lula ampliou a disputa eleitoral para além das propostas econômicas e sociais. A mensagem procura fazer com que o eleitor associe a escolha presidencial também ao papel que o Brasil deverá desempenhar diante de outras potências. Ao mesmo tempo, a campanha de Flávio tem utilizado a data para mobilizar seus apoiadores e fazer críticas ao governo e ao STF. Com os dois principais candidatos ocupando espaços diferentes nas celebrações da Independência, o feriado acabou se transformando em mais um capítulo da disputa de 2026. A campanha de Lula, ao falar em um “Brasil que se levanta”, deixou claro que pretende colocar a soberania nacional entre os temas centrais de sua estratégia eleitoral nas próximas semanas.



