O que aconteceu no 7 de Setembro envolvendo ministros do STF chama atenção
O tradicional desfile de 7 de Setembro em Brasília ganhou, neste ano, um elemento que chamou atenção nos bastidores políticos: a ausência da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) da tribuna de honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em meio à crise interna que passou a envolver publicamente Alexandre de Moraes e André Mendonça, apenas o presidente da Corte, Edson Fachin, compareceu à cerimônia. A situação ocorreu em um momento especialmente delicado para o tribunal, que enfrenta questionamentos, troca de acusações entre ministros e uma crescente pressão para definir os próximos passos do caso que movimenta o Supremo.
Tradicionalmente convidados para acompanhar a celebração ao lado das principais autoridades da República, os integrantes do STF costumam marcar presença na tribuna presidencial durante o desfile da Independência. Desta vez, porém, Fachin foi o único representante da Corte no local. A ausência coletiva ocorreu poucos dias depois de uma sequência de acontecimentos que colocou o Supremo no centro do debate político nacional. O episódio envolvendo informações relacionadas ao Banco Master abriu uma nova frente de tensão entre ministros e levou a Presidência do tribunal a assumir a responsabilidade pela condução dos questionamentos apresentados.
A crise ganhou maior dimensão após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reunia mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. O conteúdo passou a provocar discussões sobre os contatos mencionados no material e sobre a condução das investigações relacionadas ao caso. Pouco depois, Moraes apresentou questionamentos sobre a atuação de Mendonça e pediu que fossem analisadas possíveis irregularidades nos procedimentos conduzidos pelo colega. A troca de posições levou a crise para dentro da estrutura institucional do STF e aumentou a expectativa sobre uma solução que possa reduzir os desgastes na Corte.
Agora, os principais desdobramentos estão sob a condução de Edson Fachin. Como presidente do Supremo, ele abriu um procedimento para reunir informações e manifestações relacionadas aos episódios envolvendo os dois ministros antes de definir quais medidas poderão ser adotadas. A possibilidade de levar os pedidos ao plenário também permanece entre os próximos passos que poderão ser analisados. Fachin tem buscado centralizar as diferentes questões apresentadas durante a crise, reunindo as versões dos envolvidos e aguardando manifestações oficiais antes de qualquer conclusão. A estratégia é evitar decisões precipitadas em um momento de forte repercussão política e institucional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, também acompanha o cenário com cautela. Segundo as informações divulgadas nos últimos dias, o chefe do Executivo tem procurado manter distância direta da disputa interna entre os ministros. Em manifestações recentes, Lula defendeu que eventuais questionamentos sejam devidamente apurados pelas instituições responsáveis e cobrou uma definição sobre os fatos relacionados ao Banco Master. A posição busca preservar a separação entre os Poderes enquanto o Supremo enfrenta uma situação que já ultrapassou os limites dos debates internos e passou a alimentar discussões no Congresso, nas redes sociais e no cenário eleitoral.
A ausência dos ministros no desfile deste ano também não é um fato totalmente isolado. Em 2025, integrantes do STF igualmente deixaram de comparecer à cerimônia em meio a outro período de forte tensão política, quando o tribunal era alvo de críticas da oposição e acompanhava o início de julgamentos de grande repercussão. Em contraste, o desfile de 2024 contou com uma presença mais ampla de ministros na tribuna presidencial. O cenário de 2026, porém, tem características próprias: enquanto Fachin representa institucionalmente a Corte no evento, os demais magistrados permanecem fora dos holofotes em um momento em que o STF tenta administrar uma de suas crises internas mais sensíveis dos últimos anos. Os próximos movimentos da Presidência do Supremo poderão determinar se a tensão será reduzida ou se novos capítulos ainda devem ampliar o debate em torno da Corte.



