Lula articula presenças de Fachin e Alcolumbre em desfile oficial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu reforçar os convites institucionais para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, participassem do desfile cívico-militar de 7 de Setembro, em Brasília. A movimentação ocorreu em um momento de forte tensão envolvendo integrantes da Suprema Corte e foi interpretada, nos bastidores de Brasília, como uma tentativa de preservar uma imagem de diálogo entre os principais Poderes da República. A presença de autoridades do Legislativo e do Judiciário ganhou ainda mais peso diante do cenário político e institucional vivido pelo país.
Segundo relatos divulgados pela CNN, Lula fez questão de reiterar os convites a Alcolumbre e Fachin e avaliou que a participação deles teria um significado importante diante da crise que envolve o STF. A intenção seria transmitir uma mensagem de normalidade institucional e mostrar que Executivo, Legislativo e Judiciário continuam mantendo canais de diálogo mesmo diante das divergências. O presidente também teria defendido, em conversas reservadas, que o momento exigia uma demonstração pública de união entre as instituições, evitando que a cerimônia nacional fosse marcada exclusivamente pelas disputas que tomaram conta de Brasília nos últimos dias.
A preocupação de Lula ocorre em meio ao conflito institucional envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A crise ganhou força depois da divulgação de informações relacionadas a um relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens atribuídas a Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, além dos questionamentos apresentados posteriormente por Moraes sobre a atuação de Mendonça. Fachin passou a concentrar a análise dos episódios e abriu um procedimento para reunir informações dos envolvidos antes de decidir quais medidas poderão ser adotadas.
Nesse cenário, a presença de Fachin no desfile passou a ter um peso político e institucional ainda maior. Segundo os relatos, o presidente do STF chegou a avaliar a possibilidade de não comparecer diante da tensão existente dentro da Corte, mas considerou que sua participação poderia representar justamente uma demonstração de estabilidade. Dias antes, Fachin havia afirmado que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que nenhum Poder está acima da lei, além de defender uma resposta institucional firme, proporcional e rigorosa diante dos acontecimentos recentes.
A participação de Davi Alcolumbre também despertou atenção nos bastidores. O presidente do Senado não havia participado da cerimônia de 7 de Setembro de 2025, enquanto Hugo Motta, presidente da Câmara, já era esperado para a solenidade deste ano. Em 2026, porém, Motta e Alcolumbre confirmaram presença ao lado de Lula no desfile da Esplanada dos Ministérios. O evento ganhou importância adicional por ocorrer a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, aumentando a atenção sobre cada gesto e encontro entre as principais autoridades do país.
A preocupação com o significado político da cerimônia não é inédita. Em 2022, durante a disputa pela reeleição de Jair Bolsonaro, os então presidentes do Congresso e do STF optaram por não participar do desfile de 7 de Setembro. Naquele período, havia receio de que a solenidade pudesse ser utilizada para discursos ou manifestações direcionadas contra instituições do Judiciário. Agora, quatro anos depois, o cenário é diferente, mas a proximidade entre a data nacional e a disputa eleitoral novamente colocou o evento no centro das atenções políticas.
Além do aspecto institucional, a presença de Alcolumbre também é acompanhada com interesse pelo entorno de Lula por causa da eleição presidencial. O senador ainda não havia declarado apoio formal à candidatura do petista, e qualquer aproximação entre os dois passou a ser observada como possível sinalização para os próximos capítulos da disputa. No desfile deste 7 de Setembro, Lula esteve acompanhado de Janja, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, em uma cerimônia marcada pelos temas da soberania nacional, combate ao feminicídio e preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027.


