Decisão na Itália: Brasileira é condenada à prisão perpétua pela morte do marido

A brasileira Adilma Pereira Carneiro, condenada à prisão perpétua na Itália pela morte do companheiro Fabio Ravasio, voltou ao centro das atenções após a divulgação de novos detalhes do processo. A decisão da Justiça italiana foi tomada em 15 de junho de 2026, no Tribunal de Busto Arsizio, e considerou que a morte do ciclista, ocorrida em agosto de 2024, não teria sido resultado de uma simples fatalidade no trânsito. Segundo a reconstrução apresentada no julgamento, o atropelamento teria sido planejado para aparentar um acidente provocado por um veículo que depois deixaria o local.
Fabio Ravasio tinha 52 anos quando morreu, em 9 de agosto de 2024, na cidade de Parabiago, na região da Lombardia. Naquela noite, ele seguia de bicicleta para casa quando foi atingido por um automóvel. Inicialmente, o episódio foi tratado como um acidente de trânsito, mas a investigação avançou depois que os investigadores encontraram elementos que apontavam para uma possível ação planejada. A partir daí, a atenção das autoridades se voltou para as relações pessoais e financeiras do ciclista, além dos contatos mantidos por pessoas próximas a Adilma.
De acordo com a decisão judicial, Adilma teria ocupado uma posição central na organização do plano. A acusação sustentou que diferentes participantes receberam tarefas específicas para que a ação pudesse ser realizada e, posteriormente, interpretada como um acidente. Entre os condenados estão Marcello Trifone e Fabio Lavezzo, que também receberam prisão perpétua. Massimo Ferretti foi condenado a 24 anos, Igor Benedito a 23 anos e Mohamed Dahibi a 22 anos. Fabio Oliva recebeu 14 anos, enquanto Mirko Piazza foi condenado a 14 anos e quatro meses. Ao todo, oito pessoas foram condenadas no processo.
A possível motivação financeira também teve peso importante na análise dos magistrados. Conforme a imprensa italiana, a Justiça considerou que a morte de Ravasio poderia proporcionar vantagens econômicas a Adilma, incluindo acesso ao patrimônio do companheiro, estimado em aproximadamente três milhões de euros, além de possíveis valores relacionados a seguros. A hipótese financeira foi analisada juntamente com outros elementos apresentados durante o julgamento. A decisão apontou Adilma como o centro da articulação que envolveu os demais condenados.
Um dos pontos que chamaram atenção durante o processo foi o depoimento de Massimo Ferretti, que havia mantido um relacionamento com Adilma. Segundo reportagens da imprensa italiana, ele afirmou ter participado de discussões relacionadas ao planejamento e fornecido informações sobre os hábitos e deslocamentos de Ravasio. Outros envolvidos também tiveram funções específicas, segundo a reconstrução apresentada pela acusação. A Justiça entendeu que a participação de cada réu deveria resultar em penas diferentes, de acordo com o papel atribuído a cada um.
Apesar da condenação, Adilma manteve sua versão de inocência durante o processo. Antes da sentença, sua defesa pediu a absolvição e questionou a consistência dos depoimentos apresentados contra ela, argumentando que existiam contradições e ausência de elementos suficientes para comprovar que a brasileira teria dado uma ordem para a morte de Ravasio. Em declarações durante o julgamento, Adilma também apontou o ex-companheiro Massimo Ferretti como alguém que teria interesse no caso e afirmou que não precisava do dinheiro de Fabio. Mesmo com a estratégia da defesa, a Corte de Busto Arsizio decidiu pela prisão perpétua.
O caso continua chamando atenção não apenas pela condenação, mas também pelas circunstâncias que transformaram uma ocorrência inicialmente registrada como acidente em uma investigação de grande repercussão na Itália. A imprensa local passou a usar apelidos como “Louva-a-Deus de Parabiago” para se referir à brasileira, embora essa denominação não faça parte da decisão judicial. Após a morte de Ravasio, as autoridades italianas também reabriram a investigação sobre a morte de um ex-marido de Adilma, ocorrida em 2011 e inicialmente atribuída a um infarto. Essa nova apuração, porém, é independente da condenação pelo caso Ravasio e deverá seguir seu próprio caminho na Justiça.




