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PF convoca ex-chefe de gabinete de Lula e lobista para depor

A Polícia Federal avança em uma investigação que apura suspeitas de tráfico de influência e possíveis favorecimentos em negociações ligadas ao governo federal. Segundo reportagem publicada neste sábado (22), a corporação pretende ouvir Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a lobista Roberta Luchsinger. A expectativa é de que os depoimentos ocorram após a conclusão de uma etapa considerada relevante pelos investigadores: o rastreamento dos valores e despesas mencionados no material já reunido. O objetivo é confrontar documentos, mensagens e movimentações financeiras com as versões dos envolvidos antes do encerramento do inquérito. A medida amplia uma apuração que ganhou repercussão nacional nos últimos dias.

Marcola passou a aparecer com maior destaque nas apurações depois que mensagens e registros financeiros analisados pela PF indicaram pagamentos de despesas pessoais realizados por Roberta. Reportagens de diferentes veículos apontam que os valores teriam envolvido faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e outros gastos. A defesa do ex-chefe de gabinete sustenta, porém, que parte desses recursos correspondeu a um empréstimo pessoal posteriormente quitado e nega qualquer favorecimento em negócios com a administração pública. Para os investigadores, o ponto central é esclarecer se existiu relação entre os pagamentos e eventuais tratativas de interesse de Roberta dentro de órgãos federais. A origem, a finalidade e a cronologia dessas movimentações deverão orientar os próximos passos da apuração.

Uma das frentes da investigação envolve uma tentativa de viabilizar a venda de produtos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A negociação não chegou a ser concretizada, mas mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que Roberta teria encaminhado a Marcola uma minuta de contrato relacionada ao negócio. Ele confirmou ter recebido o documento, mas afirmou que considerou o conteúdo inadequado e que não teria dado prosseguimento ao material. Roberta também aparece nas apurações por sua relação profissional com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, investigado em outro conjunto de suspeitas envolvendo descontos sobre benefícios previdenciários. A PF busca determinar se houve tentativa de obter facilidades indevidas junto à administração pública.

Outra linha de apuração alcança a Dataprev. Segundo informações atribuídas aos investigadores, Roberta teria buscado aproximação com funcionários ou pessoas ligadas à empresa pública para obter informações sobre medidas adotadas contra irregularidades em descontos de aposentados e pensionistas. Essa parte do caso ainda está sob investigação e não representa conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos citados. A Polícia Federal tenta reconstruir a sequência de contatos, identificar quem participou das conversas e verificar se houve tentativa efetiva de interferência em decisões administrativas. A análise do chamado caminho do dinheiro também é considerada importante para estabelecer se os pagamentos encontrados possuem natureza privada ou relação com interesses junto ao poder público. Até aqui, não há decisão judicial definitiva reconhecendo responsabilidade criminal dos investigados.

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, também é citado em materiais analisados pela PF. Reportagens recentes afirmam que investigadores identificaram mensagens nas quais seu nome aparece associado à atuação de Roberta e a contatos com integrantes do governo. A defesa de Lulinha nega irregularidades, questiona a divulgação de informações de procedimentos sigilosos e afirma que os vazamentos teriam finalidade política. Na sexta-feira (21), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal apure a origem de vazamentos de dados sigilosos relacionados às investigações. O ministro ressaltou que a apuração deve se concentrar em quem tinha obrigação de preservar o sigilo, sem direcionar o procedimento contra jornalistas responsáveis pela publicação das reportagens.

O caso permanece em andamento e, até o momento, as suspeitas investigadas não equivalem a condenação ou comprovação definitiva de crime. As oitivas de Marcola e Roberta, caso sejam formalizadas nos termos divulgados, poderão esclarecer pontos considerados essenciais pela Polícia Federal e permitir o confronto das versões apresentadas com as provas reunidas. A investigação ainda deve analisar mensagens, documentos e movimentações financeiras antes de sua conclusão. As defesas poderão apresentar explicações e documentos. De acordo com a reportagem que revelou a nova fase, a expectativa é de que o inquérito seja concluído apenas no fim do ano, após o período eleitoral, embora o cronograma possa mudar conforme o avanço das diligências.

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