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Flávio volta a pressionar Lula em meio a nova polêmica

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao comentar os números de mortes de indígenas na Terra Yanomami durante a atual gestão federal. Em publicação nas redes sociais, Flávio compartilhou uma reportagem sobre o tema e questionou se Lula “já pode” ser chamado de “genocida”, retomando uma expressão usada contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a pandemia de Covid-19.

A manifestação foi feita na sexta-feira (21), após a divulgação de dados sobre a situação no território Yanomami. Segundo informações publicadas pela revista Veja e repercutidas pelo Poder360, foram registradas 1.121 mortes de indígenas entre 2023 e 2025.

O número é superior aos 951 óbitos registrados em período equivalente durante o governo de Jair Bolsonaro, segundo a comparação apresentada na reportagem. Foi diante desses dados que Flávio Bolsonaro publicou a provocação direcionada ao atual presidente.

A declaração faz referência direta às críticas enfrentadas por Jair Bolsonaro durante seu mandato. O termo utilizado por Flávio foi frequentemente empregado por adversários políticos e críticos do ex-presidente, especialmente durante a crise sanitária provocada pela pandemia.

Lula também utilizou a expressão em diferentes momentos para criticar a atuação do governo anterior. Agora, Flávio tenta inverter a cobrança política e associar os números recentes da Terra Yanomami à gestão do atual presidente.

Um dos pontos mais relevantes revelados na reportagem, porém, envolve o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. Segundo a publicação da Veja citada por Flávio, Fachin procurou a senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal, para tratar de uma missão conjunta ao território Yanomami.

Damares Alves é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, e a iniciativa teria como objetivo acompanhar de perto a situação das comunidades indígenas. A movimentação indica que o tema chegou diretamente ao comando do Judiciário e passou a mobilizar também o Congresso Nacional.

A participação de Fachin no episódio ganha destaque justamente porque o presidente do STF teria tomado a iniciativa de procurar a senadora para discutir uma ação conjunta. Ou seja, segundo a reportagem, não se trata apenas de uma manifestação política sobre a situação dos Yanomamis: o próprio presidente da Suprema Corte buscou articulação com a Comissão de Direitos Humanos do Senado para acompanhar o cenário no território.

A informação reforça a dimensão institucional assumida pelo problema. A possível missão conjunta envolveria diferentes esferas do poder público e teria como foco verificar a situação enfrentada pela população indígena.

O governo Lula, por sua vez, contestou a comparação entre os números divulgados. Em nota, afirmou considerar grave a divulgação de análises baseadas em dados que, segundo o Executivo, não foram devidamente contextualizados.

A atual gestão argumenta que, entre 2019 e 2022, houve deterioração na assistência à saúde das comunidades Yanomami, além de subnotificação de doenças e mortes. O governo também afirma que unidades de atendimento foram fechadas ou destruídas e que diversas comunidades ficaram sem assistência regular.

Segundo o Executivo, a ampliação da busca ativa, dos diagnósticos e da vigilância epidemiológica desde 2023 também teria contribuído para a identificação de casos que anteriormente não eram registrados de forma adequada.

Como contraponto aos números apresentados para o período de 2023 a 2025, o governo informou que houve redução de 29,5% nas mortes entre o primeiro semestre de 2023 e o mesmo período de 2026. De acordo com os dados divulgados, o número caiu de 224 para 158 óbitos.

A gestão federal também afirma ter zerado as mortes provocadas por malária no período analisado. Os óbitos relacionados à desnutrição teriam registrado queda de 75,7%, enquanto as mortes causadas por infecções respiratórias agudas teriam diminuído 40,8%.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em novembro de 2025 também apontavam redução de 27,6% na mortalidade na Terra Yanomami desde janeiro de 2023, quando o governo federal declarou emergência em saúde pública na região.

A publicação de Flávio Bolsonaro ocorre em meio ao início da campanha eleitoral de 2026 e amplia a disputa política entre os dois principais grupos que devem protagonizar a corrida presidencial.

Enquanto Flávio utiliza os números para questionar Lula e retomar críticas feitas ao governo Bolsonaro no passado, o atual governo sustenta que os dados precisam ser analisados considerando a ampliação do atendimento e a identificação de casos antes subnotificados.

No centro da nova polêmica está também a atuação de Edson Fachin. A informação de que o presidente do STF procurou Damares Alves para discutir uma missão conjunta ao território Yanomami acrescenta um novo elemento ao debate e demonstra que a situação vem sendo acompanhada não apenas pelo governo federal, mas também por representantes do Judiciário e do Legislativo.

A movimentação de Fachin, portanto, chama atenção por colocar o presidente do Supremo diretamente entre as autoridades que buscam acompanhar institucionalmente a crise. O episódio deve continuar repercutindo no cenário político, especialmente diante da tentativa de Flávio Bolsonaro de transformar os números sobre a Terra Yanomami em um dos temas da disputa eleitoral contra Lula.

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