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Entenda quando a lei permite a deserdação de um filho

A relação entre Fiuk e Fábio Jr. voltou a chamar a atenção do público nos últimos dias. Em entrevista ao programa Pânico, Fiuk, de 35 anos, afirmou que teria sido deserdado pelo pai, de 72 anos. A declaração ocorreu em meio a comentários do cantor e ator sobre sua vida financeira e sobre o afastamento familiar que existe há alguns anos.

O assunto rapidamente ganhou espaço nas redes sociais, mas também levantou uma dúvida que vai muito além da vida dos famosos: afinal, um pai pode simplesmente decidir que um filho não receberá sua parte da herança?

Segundo especialistas em Direito de Família e Sucessões, a resposta é não tão simples. No Brasil, os filhos são considerados herdeiros necessários. Isso significa que, em regra, existe uma parcela do patrimônio que é protegida pela legislação e não pode ser retirada apenas por vontade pessoal.

A chamada legítima corresponde a metade da herança e deve ser destinada aos herdeiros necessários. A outra metade pode ser organizada de acordo com a vontade do proprietário, inclusive por meio de testamento. A deserdação existe na legislação brasileira, mas precisa seguir requisitos específicos. Não basta uma declaração feita em uma entrevista, uma discussão familiar ou mesmo uma relação distante entre pai e filho.

De acordo com especialistas consultados pela imprensa, a deserdação precisa estar expressamente registrada em testamento e acompanhada da indicação de uma causa prevista em lei. Entre as situações previstas estão determinadas condutas contra o autor da herança, incluindo agressão física e injúria grave, além de outras hipóteses estabelecidas pelo Código Civil.

Mesmo quando existe um testamento, a questão não termina automaticamente. Depois da morte do autor da herança, a justificativa apresentada pode precisar ser comprovada judicialmente. O possível herdeiro também pode contestar a decisão e apresentar sua própria defesa.

Apesar da declaração feita pelo artista, não há, até o momento, informação pública suficiente para afirmar que exista um procedimento formal de deserdação ou que Fiuk tenha perdido juridicamente seus direitos sucessórios. A própria expressão “fui deserdado” pode ter sido usada para descrever a situação familiar vivida pelo cantor, mas isso não significa, necessariamente, que todos os efeitos previstos na legislação já tenham ocorrido.

Fiuk e Fábio Jr. estão afastados desde 2023, segundo relatos publicados recentemente. O distanciamento entre os dois voltou ao centro das atenções justamente quando o artista decidiu falar mais abertamente sobre sua atual fase pessoal e profissional.

O episódio mostra como questões familiares podem ganhar outra dimensão quando envolvem patrimônio e pessoas conhecidas. No entanto, quando o assunto é herança, sentimentos e declarações públicas não substituem os procedimentos previstos em lei.

Por isso, qualquer conclusão definitiva sobre a situação de Fiuk dependeria da existência de documentos, testamento e eventual análise judicial. Até lá, o caso permanece como uma declaração pública que despertou curiosidade e trouxe à tona um tema importante do Direito brasileiro: os limites para decidir o destino de uma herança.

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