Essa foi a reação de Glória Menezes quando soube que o neto é trans, pouco antes de falecer

Glória Menezes, uma das maiores atrizes da teledramaturgia brasileira, faleceu nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, aos 91 anos, em sua residência no Rio de Janeiro. A notícia da morte da artista, ocorrida por causas naturais e em meio à convivência familiar, gerou manifestações de carinho e lembranças de uma carreira que atravessou décadas e marcou gerações de espectadores. Entre as homenagens e os relatos que vieram à tona após o falecimento, destacou-se um episódio particular envolvendo sua relação com o neto Theo Fagundes, compartilhado pela nora Mocita Fagundes, esposa do ator Tarcísio Filho.
A atriz construiu uma trajetória sólida desde os anos 1950, quando ainda estudante da Escola de Arte Dramática da USP, abandonou os estudos formais para se dedicar ao teatro. No cinema, participou de produções importantes, incluindo o filme O Pagador de Promessas, que conquistou reconhecimento internacional. Na televisão, estreou em novelas diárias pioneiras e se consolidou como presença constante nas emissoras, interpretando personagens de grande repercussão que vão de mocinhas a antagonistas marcantes. Seu casamento com o também ator Tarcísio Meira, que durou quase seis décadas até a morte dele em 2021, formou um dos casais mais lembrados da história da televisão brasileira. Juntos, eles compartilharam a tela e a vida pessoal, deixando um legado de parceria artística e familiar.
Após o falecimento de Glória Menezes, o depoimento de Mocita Fagundes, publicado originalmente em janeiro de 2025, voltou a circular. Na ocasião, a publicitária falava sobre o filho Theo e mencionava a forma como a avó recebeu a informação sobre a identidade de gênero do neto. Segundo o relato, quando Glória Menezes, então com cerca de 90 anos, soube da transição, reagiu com simplicidade. A resposta atribuída a ela foi apenas “E daí?”, acompanhada de um sorriso. A partir daquele momento, de acordo com a nora, a atriz passou a tratar o neto pelo nome escolhido e nunca mais utilizou a designação anterior. Não houve equívocos no tratamento nem manifestações de estranhamento.
Mocita descreveu o episódio como exemplo da postura adotada no ambiente familiar. Ela mencionou ter vivido, inicialmente, um período de adaptação pessoal diante da mudança, que logo deu lugar a uma aceitação plena e ao reconhecimento da felicidade do filho. No mesmo depoimento, destacou que a empatia sempre prevaleceu nas relações próximas e que o acolhimento se deu de maneira natural, sem necessidade de grandes discussões. Tarcísio Filho, segundo a esposa, teria reagido de forma semelhante, priorizando o vínculo afetivo.
O retorno dessas declarações após a morte de Glória Menezes serviu para ilustrar um aspecto da personalidade da atriz que ia além dos papéis que interpretou. Em uma idade avançada, ela teria demonstrado capacidade de absorver informações novas com discrição e respeito, mantendo a convivência familiar inalterada em sua essência. Amigos e colegas da carreira, ao comentar a perda, reforçaram a imagem de uma mulher de firmeza no trabalho e de serenidade na vida particular.
A despedida de Glória Menezes ocorreu de forma reservada, restrita ao círculo íntimo, conforme o desejo da família. Sua saída deixa um vazio na memória coletiva da dramaturgia nacional, onde sua presença foi constante por mais de meio século. Os relatos que emergiram neste momento de luto ajudam a compor um retrato mais completo da artista: não apenas a intérprete de personagens inesquecíveis, mas também a matriarca que, segundo quem conviveu de perto, soube preservar os laços familiares diante de mudanças.
A carreira de Glória Menezes permanece como referência de profissionalismo e longevidade. Seus trabalhos continuam disponíveis em acervos e reprises, permitindo que novas plateias conheçam a qualidade de sua interpretação. Ao mesmo tempo, as histórias pessoais que surgem agora, como a relatada pela nora, acrescentam camadas humanas a uma biografia já vasta. Elas mostram que, atrás das câmeras e longe dos holofotes, a atriz cultivava relações baseadas na convivência cotidiana e na capacidade de acolher as pessoas próximas como elas se apresentavam.
Com a morte de Glória Menezes, encerra-se um ciclo importante da televisão brasileira. O legado artístico permanece intacto, enquanto as memórias familiares, como a compartilhada por Mocita Fagundes, oferecem um olhar íntimo sobre quem ela foi além dos papéis. Em um momento de despedida, esses detalhes ajudam a lembrar que a trajetória pública de uma artista sempre convive com a dimensão privada da vida, marcada por vínculos, adaptações e, acima de tudo, pela continuidade dos laços afetivos.



