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Laura Cardoso, ícone da dramaturgia brasileira, morre aos 98 anos em São Paulo​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​

A atriz Laura Cardoso faleceu aos 98 anos na noite de segunda-feira, 17 de agosto de 2026, em sua residência no bairro do Sumaré, zona oeste de São Paulo. A informação foi confirmada pela família nas primeiras horas desta terça-feira por meio de uma publicação no perfil oficial da artista nas redes sociais. O texto de despedida destacava o carinho e a gratidão pela trajetória dela, descrevendo-a como uma grande estrela que permanecerá na memória de todos.

Laura Cardoso, nome artístico de Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, nasceu em 13 de setembro de 1927 em São Paulo, filha de imigrantes portugueses. Desde jovem demonstrou vocação para as artes cênicas. Aos 15 anos iniciou a carreira no rádio, atuando em radionovelas e programas de auditório. A transição para a televisão ocorreu no início da década de 1950, quando o veículo ainda dava seus primeiros passos no Brasil. Ela se tornou uma das pioneiras da teledramaturgia nacional, acompanhando de perto a consolidação da TV como principal meio de entretenimento e informação do país.

Ao longo de mais de oito décadas de atividade profissional, Laura Cardoso construiu um dos currículos mais extensos e respeitados da dramaturgia brasileira. Participou de dezenas de novelas, séries, peças de teatro e produções cinematográficas. Seus personagens frequentemente interpretavam figuras maternas, mulheres de personalidade forte e personagens complexas que atravessavam diferentes gerações de espectadores. Trabalhos em produções como Mulheres de Areia, A Viagem, Chocolate com Pimenta, Caminho das Índias e A Dona do Pedaço, esta última em 2019, marcaram sua passagem pela televisão. Mesmo afastada das grandes novelas nos últimos anos, manteve vínculo com a arte e participou de projetos menores, incluindo um curta-metragem lançado em 2025.

A atriz era conhecida pela disciplina, pela dedicação aos ensaios e pela seriedade com que encarava cada papel. Colegas de profissão e diretores frequentemente ressaltavam sua capacidade de se transformar e de entregar interpretações honestas e convincentes. Ao longo da carreira recebeu diversos prêmios e homenagens, sendo reconhecida como uma das maiores referências da televisão brasileira. Em entrevistas recentes, ela falava com naturalidade sobre a longevidade e expressava o desejo de continuar trabalhando enquanto a saúde permitisse, rejeitando a ideia de aposentadoria definitiva.

A morte de Laura Cardoso representa o encerramento de um ciclo importante na história da dramaturgia nacional. Sua trajetória coincide com o desenvolvimento do rádio e da televisão no Brasil, e sua presença constante nas telas ajudou a formar o gosto e a memória afetiva de várias gerações de espectadores. A família informou que o falecimento ocorreu após ela se sentir mal em casa, de causas naturais. O velório foi realizado nesta terça-feira em São Paulo, em cerimônia reservada, com possibilidade de homenagens externas por parte do público.

Laura Cardoso deixa duas filhas, netos e um bisneto. Seu legado permanece vivo nas gravações, nas recordações de quem a acompanhou ao longo das décadas e no exemplo de profissionalismo e paixão pela arte. Em um meio marcado por mudanças rápidas de tecnologia e de linguagem, ela simbolizou a continuidade e a excelência de uma geração que ajudou a construir a televisão brasileira como a conhecemos. Sua passagem reforça a importância de preservar a memória dos artistas que dedicaram a vida inteira à interpretação e à narrativa de histórias que tocaram milhões de pessoas.

A notícia da morte da atriz gerou manifestações de pesar em diferentes setores da cultura e da comunicação. Colegas de elenco, diretores e fãs recordaram a elegância, a generosidade e a competência que marcaram sua presença nos sets de gravação e nos palcos. Laura Cardoso será lembrada não apenas pelos personagens que interpretou, mas pela dedicação ininterrupta à profissão que escolheu ainda na adolescência e que exerceu até quase completar um século de vida. Sua ausência deixa um vazio na dramaturgia brasileira, ao mesmo tempo em que reforça o valor de uma carreira construída com consistência, respeito e amor pelo ofício.

 

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